Demora na formalização dos processos beneficia acusados. O Ministério Público Federal investiga denúncias de que servidores públicos, acusados por envolvimento em desvios milionários aos cofres do INSS, estariam reassumindo suas funções no órgão, após serem presos pela força-tarefa formada pelas Polícia Federal (PF), Ministério Público Federal (MPF) e técnicos da Previdência para investigar fraudes previdenciárias, e conseguirem a libedade por determinação da Justiça.
Segundo informações do órgão, diversos casos estariam sendo monitorados ocorrendo no Ceará, Paraíba, e em Brasília, onde, no mês de outubro, quatro funcionários foram acusadas de fraudar R$ 10 milhões por meio de uma agência da Previdência localizada em Ceilândia. A ação que desmontou a quadrilha foi batizada Operação Guariroba.
Procurada pela reportagem na sexta-feira, dia 4, e ontem, a Assessoria de Imprensa do Ministério da Previdência não deu retorno aos contatos efetuados para tentar o esclarecimento dos fatos. A ouvidora-geral do INSS, Genoveva Freire Coelho, também não foi localizada para comentar o caso.
De acordo com os levantamentos dos procuradores, os procedimentos administrativos contra os servidores não estariam sendo formados em função da falta de condenação dos envolvidos. Eles temem que a demora na formalização dos processos, acabe beneficiando os acusados com a prescrição dos crimes.
SEM COMENTÁRIOS
A delegada-chefe da Divisão de Repressão aos Crimes Previdênciários da Polícia Federal, Mirangela Maria Batista Leite, responsável pela coordenação das ações de combate às fraudes, preferiu não comentar os fatos. “O trabalho conjunto desenvolvido pelos órgãos envolvidos na força-tarefa tem rendido bons resultados”, disse.
A permanência dos acusados nos cargos faz com que a possibilidade de reincidência no crime aumente potencialmente. O MPF vai citar o INSS pedindo a adoção imediata de providências.