A Fundação Nacional do Índio (Funai) em Brasília entregou ao Ministério da Justiça, no final da tarde desta terça-feira, um parecer favorável à demarcação como terra indígena de uma área de 11 mil hectares em Aracruz (norte do Espírito Santo) que hoje pertence à empresa Aracruz Celulose. Com a emissão do parecer da fundação, cabe ao Ministério da Justiça analisar o processo e decretar ou não a demarcação em favor das tribos.
Cerca de 200 índios tupiniquins e guaranis estão reunidos na manhã desta quarta-feira, na área de disputa, para decidir se vão continuar ou não com os protestos e a demarcação das terras. A ocupação teve início há uma semana. Os índios derrubaram e queimaram eucaliptos da empresa para pressionar a Funai a emitir o parecer sobre a disputa.
Segundo a assessoria de imprensa da Aracruz Celulose, a área desmatada pelos índios atinge cerca de 36 hectares – o equivalente a 50 campos de futebol – o que causa um prejuízo passa de R$ 1 milhão.
Em nota, a Aracruz condenou as ações dos índios. A companhia entende que quaisquer reivindicações devem ser conduzidas dentro lei, para conquistar legitimidade e o aval da sociedade. De acordo com a nota, o que vem ocorrendo, ao contrário, é o desrespeito ostensivo às instituições. A empresa continua afirmando que as invasões põem em cheque investimentos, empregos, e o desenvolvimento futuro não apenas de um setor produtivo, mas de todo o país.
Estudo aponta que terras são indígenas
Um estudo feito pela Funai há nove anos aponta que 11 mil hectares usados pela empresa seriam de seis aldeias de tribos Tupi e Guarani de Aracruz. Está nas mãos do presidente da Funai em Brasília, Mércio Pereira, um parecer da Procuradoria Geral em favor dos índios. O documento está pronto há duas semanas, mas ainda não foi entregue ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que vai decidir quem vai ficar na terra.