Governo e oposição procuram uma saída pacífica de Renan Calheiros (foto) (PMDB-AL) da Presidência do Senado. Avaliam que não há mais condições para sua permanência no cargo. Preocupado com a prorrogação da CPMF, o Palácio do Planalto inicia hoje, por exemplo, uma articulação direta, sem a presença de Renan, com a oposição no Senado para aprovar a proposta (leia abaixo).
Enquanto isso, tenta encontrar uma forma para convencer Renan a largar a Presidência sem deixar uma digital do governo, nem transformá-lo num inimigo político. Ontem, o peemedebista ouviu de governistas e senadores da oposição que, se ainda quer algum chance de salvar seu mandato, terá que se licenciar ou renunciar ao cargo. Caso contrário, será remota a possibilidade de ser absolvido se for a plenário qualquer um dos quatro processos que sofre no Conselho de Ética e de um quinto que está por vir.
Ontem pela manhã, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), reuniu-se no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula e o ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia. Lula pediu cautela e mostrou-se preocupado em não dar sinais de interferência na crise do Senado. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, resumiu numa frase a posição do palácio. “Não queremos nos meter nas questões internas do Senado. A nossa alternativa é buscar o diálogo, inclusive com a oposição”, disse.
Logo depois do encontro com Lula, Jucá almoçou com Renan na companhia do governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB). O presidente da Casa ouviu dos dois que o ambiente prejudica as votações em plenário e avaliaram uma maneira de diminuir a tensão no Senado.
Renan disse a eles que considera “injusta” essa crise, e que não aceita sair em meio a esse tiroteio. E se comparou a um coqueiro. “Se querem beber água de coco, não adianta sacudir o coqueiro. Tem que subir nele”, afirmou.
Jucá relatou o conteúdo do almoço a senadores da base aliada e o governador alagoano informou ao PSDB a posição do peemedebista. Renan ainda recebeu o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP). O peemedebista ressaltou ao colega o clima hostil a ele no Senado. O senador manteve a disposição de não recuar.
Pacificação
A estratégia agora é encontrar uma forma de tirar Renan do cargo sem que o governo o tenha como desafeto, nem a oposição se indisponha com o PMDB. “Temos que conversar com todos os partidos para estruturar procedimentos que acalmem o Senado. Estamos procurando um caminho para pacificar a Casa”, disse ontem Jucá.
Em conversas reservadas ontem, a líder do PT, Ideli Savaltti (SC), avaliou com senadores que o visível abandono de Renan em plenário na última terça-feira foi o recado de que se tornou inviável a permanência dele no cargo. Caso insista, avalia Ideli, Renan corre sério risco de ser cassado no plenário. “Ele (Renan) tem que se licenciar e os processos andar com celeridade”, disse a petista aos jornalistas.
No fim da tarde de ontem, senadores da oposição reuniram-se no gabinete do líder do PSDB, Arthur Virgilio (AM). Não descartaram que Renan ceda à pressão, apesar de sua insistência. Sobre a CPMF, disseram, no encontro, que cabe ao governo trabalhar para diminuir a tensão na Casa e aprovar a proposta.
Ontem, Renan não disfarçou o mau humor com a ressaca do plenário do dia anterior. Chegou sem falar com os jornalistas. Presidiu a sessão por alguns minutos, quando leu, num plenário vazio, uma mensagem da Câmara informando da aprovação da CPMF. E mais nada.