Entre os 617 grampos que fazem parte do processo da Operação Xeque-Mate, um deles flagrou um interlocutor contatando Genival Inácio da Silva – irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – 15 dias antes de a Polícia Federal prender os acusados. Em tom apreensivo, esse homem, identificado apenas como Roberto, diz que Lula quer se encontrar com Vavá, “durante a noite”. “Tem umas broncas lá, porque você anda apresentando uma pessoa no ministério”, diz Roberto. Outras gravações mostram Vavá pedindo dinheiro emprestado e deixando claro que sabia da movimentação da PF antes das prisões.
No diálogo que se seguiu por 3 minutos e 31 segundos, Roberto afirma que quer conversar com Vavá “fora da casa dele”. O irmão do presidente diz que vai para Brasília. Roberto, então, comenta que esse era justamente o assunto que lhe interessava. Vavá cita novamente a ida para Brasília e afirma que vai conversar com Lula. Roberto emenda: “Lula quer que você vá lá um dia para conversar com ele à noite. (…) Ele quer que eu vá com você. Quer conversar na casa dele, tranqüilo.” E conclui: “Eu quero saber, porque tem umas broncas lá, porque você anda apresentando uma pessoa no ministério. Depois eu falo.” O irmão mais velho do presidente acabou sendo indiciado pela PF por tráfico de influência no Executivo e exploração de prestígio no Judiciário.
No comentário que se segue, feito pela PF, essa é uma referência de que os dois falavam sobre as supostas atividades de Vavá como “lobista”. Apesar das suspeitas de que o irmão do presidente poderia estar traficando influência no governo, a PF afirma que Lula não tem “qualquer participação” no episódio. Em conversa gravada dois dias depois, Vavá explica a um homem identificado como Rinaldo que evitou ir a Brasília para tratar sobre um suposto lobby na Empresa de Correios e Telégrafos por causa da movimentação da PF em torno da Operação Navalha. Na conversa, o irmão do presidente pede R$ 2 mil emprestados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.