Na entrada de uma das três tendas de lona erguidas em Guantánamo está escrito Camp Justice. Nela funciona, desde 5 de junho, uma Corte Militar ad hoc, ou seja, instituída para julgar cinco acusados de prepararem os ataques de 11 de setembro de 2001, com 2.972 mortes.
A corte de exceção é composta de doze juízes militares e a pena de morte só pode ser aplicada em caso de decisão unânime. O presidente da corte castrense é o coronel Ralph Kolmann e dez observadores. Em um telão instalado na barraca vizinha foram escalados para acompanhar as sessões de julgamento. Detalhe: o som e as imagens chegam com 20 segundos de atraso, tempo estabelecido pela Corte como necessário a eventual censura nas transmissões.
Na segunda-feira 8, a corte teve uma surpresa com Khaled Sheikh Mohammed, apontado como a “mente” idealizadora do trágico 11 de setembro. Igual surpresa, mas com vinte segundos de atraso, tiveram os observadores e o grupo de jornalistas da terceira tenda. Khaled, que, sob tortura, confessara na fase pré-processual o preparo do atentado, “de A a Z”, apresentou um requerimento solicitando a abreviação do julgamento: “Uma audiência imediata para anunciar a confissão e para colocar fim a este jogo. Não queremos perder mais tempo”. Ao se referir aos defensores dativos, Khaled arrematou: “Todos os senhores são pagos pelo governo americano e eu não tenho confiança em nenhum americano”.
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