O Hospital de Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti (PSM), de Belém, em que o desabamento de uma calha no último domingo feriu com gravidade quatro pacientes, está descumprindo recomendação do Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) emitida em abril deste ano, que solicitava reparos urgentes na estrutura física do prédio.
Vistoria feita pelo MPF/PA no último dia 30 de julho constatou que nenhum dos consertos recomendados foi executado. Para a procuradora regional dos Direitos do Cidadão Ana Karízia Távora Teixeira, “não há justificativa plausível para as inúmeras irregularidades, já que existem problemas simples que poderiam ser sanados se houvesse compromisso e boa-vontade das autoridades municipais”.
A procuradora solicitou informações ao PSM sobre o acidente com a calha, e recebeu hoje o laudo em que informa a conclusão de sabotagem como explicação para o acidente. “O secretário de urbanismo, Sérgio Pimentel, após avaliação criteriosa no telhado da sala em questão, informou ter encontrado indícios materiais do acidente ter sido provocado por entupimento proposital da drenagem da calha, pois regularmente são realizadas operações de limpeza nas calhas”, diz o laudo.
Como há um histórico, registrado em relatórios do MPF/PA, de precariedade estrutural e até infiltrações no prédio, a Procuradoria quer saber se há relação entre a evidente deterioração da estrutura física e o desabamento que atingiu os pacientes.
Serão solicitadas informações à Polícia Civil e aos Bombeiros, que também investigam o caso.
A inspeção de 30 de julho foi a segunda, este ano, feita pelo MPF/PA no hospital, depois de inúmeras denúncias de servidores e pacientes sobre a falta de estrutura da casa.
Em abril, na primeira vistoria, foram constatados graves problemas, de péssimas condições de higiene a deterioração da estrutura física. Nas fotos do relatório feitas em julho, várias infiltrações foram detectadas pelos técnicos do MPF.