É um outro Roberto Jefferson, ele próprio admite. O ex-deputado que revirou pelo avesso o mundo da política volta à cena hoje no papel de advogado criminalista na pequena cidade de Veras, interior do Mato Grosso. Assistente de acusação, ele participa do tribunal de júri de um caso de homicídio ocorrido em novembro de 2001.
O recomeço, diz ele, é sempre tenso. Jefferson garante que o caso é que importa, mas afirma que pessoalmente se trata do primeiro passo para superar a dor de uma perda. No caso uma vida política de mais de duas décadas encerrada após ter sido cassado no Congresso, quase dois meses atrás.
O caso em questão envolve a morte de Keila Suele Alba, de 12 anos. O alvo do tiro era o pai da menina, o então vereador Augusto Alba (PPS), por causa das denúncias que ele fazia à prefeita Izane Coneratti (PSDB). Três pessoas presas admitiram o crime e inicialmente apontaram como mandante o fazendeiro Vilmar Taffarel, irmão da ex-prefeita. ”Não é um caso fácil, é um processo catimbado”, adiantou, pedindo para não falar sobre política. Precisava se concentrar no processo, disse.
Na fase de interrogatórios, eles voltaram atrás e negaram essa versão. Taffarel se diz inocente. Alba, que hoje mora em Santa Catarina, decidiu convidar Jefferson por causa de suas aparições na TV na época das denúncias iniciais do ”mensalão”.
Para o advogado do fazendeiro, Claudio Alves Pereira, o ex-deputado é um profissional competente, mas ”não superior a mim”. E lamentou: ”Hoje, com a repercussão que se deu, não é o caso que está sendo julgado, mas a presença do deputado.’
Será o primeiro júri popular de Vera, uma cidade de 11 mil habitantes, no norte do Mato Grosso. Prevendo um grande assédio da imprensa e de curiosos, o júri foi transferido para a Câmara Municipal. São esperadas caravanas de várias partes do Estado. Um telão vai ser instalado no ginásio de esportes para evitar aglomerações. A previsão é que o julgamento termine na madrugada de sábado.