O jornal O Globo informou ter conseguido domingo na Justiça uma liminar suspendendo a decisão do juiz Ricardo Coronha Pinheiro, de sexta-feira passada, que obrigava o jornal a dar direito de resposta ao governo do Estado do Rio.
A sentença do titular da 39ª Vara Criminal determinava o cumprimento da medida em 24 horas, mas o jornal não havia sido notificado até sexta-feira.
A liminar concedida no domingo pelo desembargador de plantão no Tribunal de Justiça, Luiz Felipe Salomão, desobrigou o jornal de publicar conteúdo elaborado pelo governo estadual para se defender das suspeitas lançadas por matéria publicada no O Globo no dia 3 de maio, sobre supostos contratos milionários da administração de Rosinha Garotinho com ONGs (organizações não-governamentais).
Algumas das instituições têm dirigentes em comum com empresas que contribuíram para a pré-campanha à Presidência do ex-governador Anthony Garotinho (PMDB), marido da governadora. O governo do Estado do Rio informou domingo que não foi notificado.
O procurador-geral do Estado, Francesco Conte, disse estranhar a decisão porque a sentença original, na interpretação dele, não daria margem a liminares.
De qualquer forma, ele informou que já pretendia recorrer para aumentar a multa diária pelo descumprimento, de R$ 10 mil para R$ 100 mil diários. Ele pretende insistir para ter a versão do governo do Estado publicada no jornal.
Este é o segundo recurso que o jornal vence na disputa judicial com Garotinho. Na sexta-feira, O Globo conseguiu que a desembargadora Maria Augusta Vaz, da 1ªCâmara Cível do TJ (Tribunal de Justiça), suspendesse a decisão da juíza Fernanda Sepúlveda Telles, da 18ªVara Cível, que concedera liminar favorável ao ex-governador na noite de quarta-feira.
A decisão estabelecia o prazo de 24 horas para que o jornal abrisse espaço para que o ex-governador se manifestasse sobre a notícia de que teria viajado no jatinho de um líder do crime organizado no Mato Grosso, reproduzida da revista Veja. A revista também conseguiu suspender os efeitos de outra decisão da Justiça do Rio que a obrigava a dar direito de resposta, com chamada na capa, ao ex-governador.