A imprensa boliviana divulgou ontem decisão do juiz Sergio Cardona, do Departamento oriental de Santa Cruz, determinando a derrubada das instalações da siderúrgica brasileira EBX. A medida só não foi ainda cumprida em razãod a mobilização dos moradores das cidades fronteiriças com o Brasil, Puerto Suárez e Puerto Quijarro, que defendem a continuidade da empresa no local (e de seus postos de trabalho).
Os habitantes da região fizeram manifestação de apoio à empresa e ocuparam pacificamente o entorno da siderúrgica em vigília para protegê-la, conforme explicou Edil Gericke, presidente do Comitê Cívico de Puerto Suárez. Os executivos da companhia, conforme o promotor Alberto Cornejo, serão notificados para depor à Promotoria do Distrito de Santa Cruz.
Os promotores deverão viajar amanhã à cidade para apurar as denúncias feitas pelo governo boliviano, em La Paz, de que a EBX teria violado a Constituição por ter se instalado a menos de 50 quilômetros da fronteira e por ter construído fornos destinados à produção de ferro fundido usando carvão vegetal sem a obtenção de uma licença ambiental para isso. A empresa nega as acusações. O empresário Eike Batista, proprietário da EBX, já se dispôs inclusive a firmar negociação para pagar novos tributos e reconsiderar sua intenção de abandonar a Bolívia.
O vice-presidente boliviano Alvaro García Linera não descarta a possibilidade de uma militarização da população local. Por esta razão, o governo ordenou a vigilância dos dutos que transportam gás natural para o Brasil em medida preventiva a uma possível represália à ordem judicial. García alegou que a decisão tende a prevenir as vendas de gás ao Brasil em uma média de 30 milhões de BTU (unidade térmica) diária.