A justiça argentina ordenou nesta quinta-feira a libertação do ex-capitão da Marinha Alfredo Astiz, conhecido como ‘O Anjo Louro da Morte’, e de outros oficiais acusados de crimes contra a humanidade durante a ditadura (1976-1983), informou uma fonte judicial.
A Justiça tomou esta decisão por considerar excessivo o prazo de dois anos de detenção sem sentença final. No entanto, Astiz deverá comparecer novamente em um tribunal pelo seqüestro e desaparecimento de duas religiosas francesas e de dezenas de dissidentes políticos, entre os quais duas dirigentes do movimento das Mães da Praça de Maio.
Além de Astiz, foi favorecido pela decisão judicial o oficial da Marinha Jorge Acosta, também conhecido como ‘El Tigre’, um dos carcereiros mais temidos da Escola de Mecânica da Armada (ESMA), utilizada na época como centro de detenção, tortura e extermínio de prisioneiros políticos.
Os oficiais não serão libertados imediatamente, pois ainda falta determinar a fiança.
De acordo com organizações humanitárias, cerca de 30.000 pessoas desapareceram durante a ditadura argentina. Pela ESMA passaram mais de 5 mil presos políticos, dos quais apenas 100 sobreviveram.
Ao comentar a decisão, o chefe de Gabinete do governo argentino, Sergio Massa, disse que "a Justiça lenta não é justiça" e exigiu "a fixação da data do julgamento para se dar uma condenação efetiva, como exige a sociedade".
Astiz, de 56 anos, pode ficar preso se a promotoria recorrer alegando que o ex-militar responde a outro processo, envolvendo o seqüestro e desaparecimento das freiras francesas Leónie Duquet e Alice Domon, em dezembro de 1977.
O corpo de Duquet foi encontrado em 2005, em um cemitério público, após ser encontrado no mar.
A Justiça concluiu que Duquet foi jogada de um avião no mar nos chamados ‘vôos da morte’, durante a ditadura militar. Domon segue desaparecida.
Astiz e os outros oficiais da Marinha são acusados ainda pelo seqüestro e desaparecimento de oito líderes humanitários, incluindo Azucena Villaflor, fundadora das Mães da Praça de Maio.
O chamado "Anjo Louro da Morte" foi condenado à prisão perpétua, à revelia, pela Justiça da França, em 1990, no caso envolvendo Duquet e Domon, e pela Justiça Italiana, em 2007, pelo desaparecimento de cidadãos italianos.
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