A via judicial tem sido o principal recurso adotado por empresas importadoras e exportadoras de Minas para driblar os prejuízos causados pela greve dos fiscais do Ministério da Agricultura, que entrou ontem no décimo segundo dia. Apesar das liminares conquistadas por exportadores de frangos, suínos e bois, além de indústrias que importam equipamentos, máquinas e insumos, a greve pode estar causando um prejuízo de R$ 6 milhões diários em Minas, relativos a importações e exportações que vêm deixando de ser realizadas devido à falta da inspeção obrigatória a que as cargas devem ser submetidas.
A estimativa é da Associação dos Fiscais Federais Agropecuários de Minas Gerais, com base em levantamento realizado a partir dos laudos que embasam os processos em que importadores e exportadores solicitam mandados judiciais para o cumprimento da fiscalização.
‘Como movemos uma ação que obriga os fiscais a realizarem a inspeção, continuamos abatendo normalmente’, afirmou o presidente da Associação dos Avicultores de Minas Gerais, Tarcísio Franco do Amaral, que calcula a produção mineira em 30 milhões de aves abatidas por mês.
O gerente do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Carlos Eduardo Abijaodi, lembra que nem só as indústrias de alimentos são prejudicadas pela greve. ‘O problema é que tudo o que é transportado em pallets de madeira tem de ser inspecionado pelos fiscais, o que inclui máquinas, equipamentos e insumos para a indústria’, explica Abijaodi.
O presidente da Associação dos Fiscais Federais Agropecuários de Minas Gerais, Ricardo Aurélio Pinto Nascimento, confirma as liminares. ‘Todas estão sendo cumpridas, e as cargas liberadas. A maioria é de abatedouros de frangos, suínos e bovinos, além de indústrias, como a Fiat’, detalha Nascimento, lembrando que, apesar da greve, está garantida a escala mínima de 30%. ‘Medicamentos e alimentos perecíveis também estão sendo liberados. Já em relação à aftosa e gripe aviária, estamos trabalhando normalmente’, garante.