A Justiça Federal determinou o seqüestro dos bens e o bloqueio dos ativos financeiros –contas correntes, poupança e aplicações financeiras– de Stael Fernanda Rodrigues de Lima Janene, mulher do deputado José Janene (PP-PR), e de Mehedin Hussein Jenani e sua mulher Rosa Alice Valente. Os dois são assessores do deputado pepista.
Ex-líder do PP na Câmara, José Janene é acusado de envolvimento no escândalo do mensalão e está sob licença médica desde o final de 2005.
Janene deveria depor amanhã na comissão de Ética da Câmara, mas a Folha apurou que ele não deverá comparecer. Ele está em Curitiba (PR) para exames médicos e tratamento de uma cardiopatia.
O seqüestro dos bens e o bloqueio aconteceram por determinação da 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba, no final da semana passada, mas a informação só foi liberada ontem depois da execução integral das medidas. No último dia 18, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão de documentos e computadores de Stael Fernanda e dos dois assessores de Janene.
Foram seqüestrados imóveis rurais em Lerroville (distrito de Londrina) e Faxinal (centro do PR), imóveis urbanos e veículos (alguns em nome de terceiros, mas usado pela família Janene).
Com um salário declarado de R$ 5 mil como assessora do marido, Stael Fernanda teria adquirido desde 2003 –segundo a PF– um patrimônio declarado de mais de R$ 2 milhões, valor incompatível com seus rendimentos. Os dois assessores, Mehedin Hussein Jenani e Rosa Alice Valente, recebiam em suas contas correntes valores também incompatíveis com os salários de assessores parlamentares.
Análise do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) mostram que em março de 2004, por exemplo, que Jenani movimentou R$ 297,5 mil, com um salário declarado então de R$ 1.834.
O advogado do deputado, Adolfo Góis, disse ontem que iria hoje a Curitiba para se inteirar do “verdadeiro teor da determinação judicial”, para depois articular uma estratégia para suspender o seqüestro dos bens e o bloqueio dos ativos financeiros da mulher do deputado e de seus dois assessores.
Segundo o advogado, ao investigar a mulher e assessores de Janene, a Justiça Federal invade competência do STF (Supremo Tribunal Federal) –a investigação estaria atingindo indiretamente o deputado, que possui imunidade parlamentar e foro privilegiado.