O primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, disse que pretende entregar o general Ratko Mladic ao tribunal de Haia até abril, evitando que a questão paralise o processo de adesão da Sérvia à União Européia.
“A respeito de Mladic, o interesse primário da Sérvia agora é resolver o caso e completar a cooperação com o tribunal de Haia”, disse ele em entrevista coletiva que marcou seus dois anos no governo.
A UE disse nesta semana que a entrega de Mladic, acusado de genocídio e crimes de guerra, ao tribunal da ONU era uma condição para que a Sérvia continue negociando sua associação e posterior integração ao bloco.
Kostunica disse não temer que essas negociações, marcadas para recomeçarem no dia 4 de abril, sejam suspensas.
“Simplesmente parto da premissa de que vamos cumprir esta obrigação, e não seria tão pessimista nem cético quanto você”, disse o primeiro-ministro a um jornalista que perguntou quem seria o responsável por eventuais rompimentos do cronograma.
Kostunica disse que seu otimismo “se baseia em tudo o que sei e tudo o que os serviços relevantes sabem”.
Não haverá, afirmou, uma solução meio-termo para a entrega de Mladic, que comandou o exército sérvio da Bósnia na guerra de independência daquele país (1992-95). É preciso, segundo ele, que a coisa seja feita de forma a sair definitivamente da agenda política.
“É responsabilidade do governo e acima de tudo de mim mesmo. Tudo mundo sabe disso”, afirmou.
Há uma semana a imprensa especula que Mladic estaria preso ou decidido a se render. O governo negou, dizendo que o ex-general continua desaparecido e que a Sérvia está “fazendo tudo que está a seu alcance” para levá-lo à Justiça.
Mladic foi indiciado em 1995 pelo genocídio ocorrido durante os 43 meses de cerco a Sarajevo, que matou 12 mil civis, e como mentor do massacre de 8.000 muçulmanos desarmados em Srebrenica— a pior atrocidade na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
As negociações entre UE e Sérvia para o Acordo de Estabilização e Associação, primeiro degrau para a eventual adesão, começaram há quatro meses. Belgrado espera concluir o processo até o fim do ano.
Autoridades da UE dizem que o lado técnico da questão vai bem, mas que a condição política para a continuidade das negociações é a entrega de Mladic a Haia.