BRASÍLIA – O procurador da República no Distrito Federal, Gustavo Pessanha Velloso, informou nesta segunda-feira, em entrevista coletiva, que pediu a inclusão de mais 13 pessoas na ação penal que o Ministério Público Federal move contra integrantes da chamada máfia dos vampiros, chegando a 33 o número de pessoas indiciadas.
Entre esses novos nomes, estão os do candidato a governador de Pernambuco, Humberto Costa (PT), que foi ministro da Saúde no governo Lula, e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, um dos principais envolvidos também no esquema do mensalão. No caso da máfia dos vampiros, que atuavam no Ministério da Saúde, Costa e Soares são acusados de formação de quadrilha e corrupção passiva.
Humberto Costa participou na manhã desta segunda-feira de uma carreata no município metropolitano de Jaboatão dos Guararapes. De acordo com a sua assessoria, ele estava tranqüilo, pois já esperava a denúncia do Ministério Público Federal. Contudo, ele estava indignado com a falta de imparcialidade no caso.
O anúncio da denúncia ocorre na última semana da eleição e na véspera do debate da TV Globo com os candidatos a governador, o que reforça, de acordo com seus assessores, a tese de um complô, uma armação contra a sua candidatura. O ex-ministro está convicto de que vai provar sua inocência e mantém a cobrança de investigações mais aprofundadas.
Conforme antecipou o blog do Noblat, as principais conclusões do Ministério Público são:
1 – O ex-ministro da Saúde Humberto Costa sabia da existência da Máfia dos Vampiros e em nenhum momento tentou desmantelá-la. Ao contrário, ele dava respaldo aos servidores que desviavam recursos dos cofres públicos.
2 – Apesar das irregularidades não há evidências de que Humberto Costa recebeu dinheiro dos vampiros.
3 – Servidores do Ministério da Saúde despachavam diretamente com Humberto Costa os contratos e licitações irregulares.
4 – Humberto Costa só mandou investigar a máfia porque não teve alternativa. O MP concluiu que o ex-ministro determinou que se apurassem as regularidades “relutando porque não tinha outra alternativa”.
5 – O destinatário dos recursos era Delúbio Soares, tesoureiro do PT à época, denunciado pelo MP por corrupção ativa (pena de reclusão de 1 a 8 anos e multa), licitação fraudulenta (detenção de 2 a 4 anos e multa) e formação de quadrilha (reclusão de 1 a 3 anos).
6 – Não se sabe se o dinheiro passado a Delúbio Soares tinha como destino o PT e campanhas eleitorais.
7 – Humberto Costa e Delúbio Soares disputavam espaço e poder na Máfia dos Vampiros.
8 – As irregularidades começaram por volta de 1998 no segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Nessa época haveria um receptador dos recursos, mas o MP não conseguiu identificá-lo.
9 – Houve carregamentos em dinheiro vivo para os beneficiários.