O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse nesta quarta-feira em Nova York que irá à Câmara dos Deputados prestar esclarecimentos sobre denúncias contra ele de sonegação fiscal.
“Certamente comparecemos à Câmara regularmente e temos sempre discutido na Câmara todos os assuntos que são do interesse da instituição, quaisquer que sejam eles,” disse, antes de participar de um jantar para analistas e investidores americanos no Conselho das Américas.
A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta a convocação de Meirelles para depor sobre supostas irregularidades no envio de dinheiro ao exterior em 1999.
“A nossa posição a esse respeito é de absoluta serenidade e tranquilidade,” acrescentou.
Foro privilegiado
De acordo com a Agência Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF), deve decidir nesta quinta-feira se autoriza a abertura de inquérito para investigar as denúncias contra Meirelles.
Graças ao cargo que ocupa no BC, Meirelles goza de foro privilegiado, estando isento de processos abertos na justiça comum brasileira.
Meirelles disse ainda que, como as denúncias são um assunto sob júdice, “em respeito às instituições e ao Supremo Tribunal, não nos cabe ficar fazendo, neste momento, considerações específicas a respeito do assunto”.
“Minha carreira profissional sempre se pautou pelo respeito às leis, pelo respeito à ética e grande parte do período sob análise se deu inclusive quando eu tinha um carreira profissional aqui nesse país (Estados Unidos).”
Dólar e inflação
Meirelles negou que o BC venha a intervir no mercado de câmbio para frear a queda do dólar, que nesta quarta-feira fechou a 2,53 reais, a mais baixa cotação desde junho de 2002.
Ele afirmou que as recentes intervenções do BC no mercado tiveram por objetivo a “recomposição de reservas líquidas internacionais brasileiras, e de outro lado, a redução da vulnerabilidade externa, e em consequência, entre outras coisas, do endividamento cambial”.
“Os movimentos do dólar hoje no mundo inteiro são resultado das condições da economia americana,” acrescentou.
Meirelles disse também que apesar de o BC e o mercado projetarem uma inflação de cerca de 7% para 2005, uma taxa significativamente mais alta do que a meta de 5,1% estabelecida pelo BC, a meta não será revisada para cima.
Além de comparecer ao encontro no Conselho das Américas, o presidente do BC está nos Estados Unidos para reuniões com investidores dos bancos Citibank, Goldman Sachs e JP Morgan.
Na sexta-feira, Meirelles segue para Washington para participar da reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.