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Mensalão : em gravação obtida pela Polícia Federal motorista acusa senador

Mensalão : em gravação obtida pela Polícia Federal motorista acusa senador

Uma conversa gravada em fita cassete pode ajudar a esclarecer um dos enigmas ainda não desvendados no escândalo do mensalão. Nela, o ex-motorista do senador Romero Jucá (PMDB- RR), e hoje funcionário da prefeitura de Boa Vista (RR), Roberto Jefferson Marques, afirma a um interlocutor ser o Roberto Marques autorizado pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza a sacar dinheiro das contas da agência SMPB. As suspeitas, até o momento, pairam sobre o homônimo, amigo, assessor e carregador de malas do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.

Uma conversa gravada em fita cassete pode ajudar a esclarecer um dos enigmas ainda não desvendados no escândalo do mensalão. Nela, o ex-motorista do senador Romero Jucá (PMDB- RR), e hoje funcionário da prefeitura de Boa Vista (RR), Roberto Jefferson Marques, afirma a um interlocutor ser o Roberto Marques autorizado pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza a sacar dinheiro das contas da agência SMPB. As suspeitas, até o momento, pairam sobre o homônimo, amigo, assessor e carregador de malas do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.

No diálogo, ao qual o Correio Braziliense teve acesso, o ex-motorista de Romero Jucá afirma ter retirado R$ 50 mil no Banco Rural, em Brasília, em junho de 2004, a pedido do próprio senador. Ele afirma ainda ter chegado ao banco e procurado uma pessoa de nome André — funcionário que o teria levado a uma sala e lhe pedido para assinar o recibo. “Eu peguei e só rubriquei Roberto Marques. Não quis botar identidade, e o cara não conferiu. Não conferiu, realmente”, sustenta.

O assessor disse que não foi preciso mencionar ao funcionário do Rural o nome do senador peemedebista, mas apenas o seu próprio nome para retirar os valores. “Eu só cheguei lá (no banco) e disse: ‘Meu nome é Roberto Jefferson Marques’. Aí, o cara falou: ‘Ah, tudo bem’. Só isso. E me entregou um envelope amarelo, grampeado em cima. Não abri, não fiz nada.”

Roberto Marques alega que não sabia quanto de dinheiro havia no envelope. Teria recebido o pacote e entregado a Romero Jucá em Brasília. Em seguida, acrescenta o assessor, foi a Belo Horizonte levar o carro do senador. Disse que o patrão viajou de avião para a capital mineira. Marques explicou ainda que o chefe tinha uma amiga naquela cidade e a visitava com certa freqüência. Noutro trecho da gravação, Marques afirma ter entregue o dinheiro a um amigo de Jucá chamado Magela.

Segundo Marques, que trabalhava como motorista no gabinete de Roraima, o senador apenas o pediu para ele ir a Brasília buscar uma encomenda no Rural, sem mais detalhes. “Xuxa (apelido de Roberto Marques em Boa Vista ), tu vai para Brasília e vai pegar uma encomenda para mim no banco tal (Rural) porque eu não vou estar lá, vou estar em São Paulo”, teria dito Jucá ao assessor.

Com as denúncias sobre a existência do mensalão em meados do ano passado, prossegue Roberto Marques na gravação, o assessor teria procurado Romero Jucá para pedir explicações sobre o caso. “Senador, e agora? Vai pegar alguma coisa para mim? Porque, se for pegar alguma coisa para mim, o senhor me tira daqui (Brasília) logo. Me manda para Belém”, teria afirmado.

O senador, de acordo com as declarações do assessor, teria perguntado o que fez no banco. E ele respondeu que apenas assinou o nome em um recibo. E foi, então, tranqüilizado por Jucá, de que não haveria nenhum problema. “Aí, eu peguei e foi quando eu cheguei a viajar. Aí, fui, passei um mês e pouco para lá (Belém). Aí, não deu nada, não chamaram. Aí, descobriram aquele tal de Roberto Marques que trabalha com o ministro (ex-ministro José Dirceu), mas o cara provou que não era ele, não sei como”, disse Roberto lembrando da conversa que teve, na época, com o ex-patrão.

Roberto Marques disse que o exame grafotécnico — comparação da assinatura no recibo do Banco Rural, com sua caligrafia — poderá comprovar ter sido ele o autor do saque. Roberto Marques foi nomeado no gabinete de Romero Jucá em 20 de abril de 2004, no cargo de assistente parlamentar AP 05. Ele trabalhou no Senado até 1° de abril de 2005, quando foi exonerado pelo suplente Wirlandes da Luz, que assumiu o mandato quando Jucá foi ocupar o cargo de ministro da Previdência. Em poder da Polícia Federal, a fita já passou por uma análise preliminar de peritos, que reconheceram haver interrupções, mas sem montagem nas gravações. Também confirmaram se tratar da voz de Roberto Marques, conforme comparação com uma outra gravação da voz do ex-assessor.

Na fita, o motorista conta ainda que depois que deixou o gabinete do senador não conseguiu mais conversar sobre o episódio com ele. Em outubro de 2005, desempregado, teria procurado Jucá novamente, mas sem sucesso. Afirma ter pedido a um assessor de Jucá em Boa Vista para dizer ao ex-patrão que estava no sufoco financeiro e que precisava de dinheiro para pagar a pensão alimentícia dos filhos e o aluguel de casa — segundo ele, vencido há quatro meses —, mas não teve resposta.

Desempregado

A fita cassete em que Roberto Marques faz as revelações foi gravada no final de outubro de 2005, durante uma conversa no interior de um veículo. O interlocutor de Marques, que fez a gravação, prefere não se identificar. Na época, Marques estava desempregado. Depois que tomou conhecimento do que dizia seu ex-motorista, o senador voltou a empregá-lo. Hoje, trabalhando na Prefeitura de Boa Vista, cuja titular é Tereza Jucá, mulher de Romero Jucá, ele nega ter feito saques a pedido do senador, e disse também desconhecer qualquer coisa relacionada ao assunto.

Procurado pela reportagem, o gabinete do senador Romero Jucá em Brasília confirma que Roberto Jefferson Marques foi nomeado assistente parlamentar em março de 2004, para exercer a função de motorista do gabinete de apoio de Jucá em Boa Vista, e exonerado em abril de 2005. No período, segundo a assessoria, não houve ordem ou exigência por parte do parlamentar ou de funcionários do gabinete para que ele viajasse de Roraima a outro lugar do país. “O senador Romero Jucá repudia a acusação e afirma, veementemente, que não teve ou tem envolvimento de qualquer espécie com o Banco Rural ou com os saques atribuídos ao esquema chamado valerioduto”, afirma a nota.

A CPI dos Correios investiga a participação de outros parlamentares, além dos 18 já conhecidos, no esquema do mensalão. A partir de uma lista de servidores da Câmara, os técnicos da comissão tentam encontrar outros sacadores. Também está sendo feito o cruzamento de dados sobre esses saques com registros bancários das corretoras Bônus-Banval e Guaranhuns. As duas operaram com alguns dos 14 fundos de pensão investigados pelos congressistas, e suspeita-se que tenham sido usadas para abastecer o esquema de corrupção. Nessa nova lista, estaria, de acordo com informações já divulgadas na imprensa, o deputado Nilton Baiano (PP-ES). Um assessor dele teria recebido R$ 100 mil. A CPI não confirma nem desmente a informação.

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