O Ministério Público Federal deverá apresentar no início desta semana um novo relatório sobre o escândalo do mensalão. A informação foi dada pelo procurador geral da República, Antonio Fernando de Souza, a um grupo de dez parlamentares que estiveram com ele para entregar os relatórios que elaboraram e foram rejeitados pelo plenário da Câmara. A intenção é que o procurador geral inclua no próximo relatório sobre o mensalão nomes que não foram citados entre os 40 denunciados na primeira versão, entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF). Entre eles estão os deputados José Mentor (PT-SP), Wanderval Santos (PL-SP) e Josias Gomes (PT-BA).
Os dois primeiros foram absolvidos pela Câmara, o último será julgado na próxima quarta-feira. “O procurador nos informou que os nomes não foram incluídos no primeiro relatório, como o do deputado José Mentor, porque as investigações ainda não tinham sido concluídas, mas agora será apresentado um novo relatório com a continuidade das investigações”, afirmou o deputado João Batista Babá (Psol-RJ).
O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) disse que o procurador garantiu que irá acolher “todas as denúncias substantivas” sobre o escândalo do mensalão, o que gera uma expectativa de que o material produzido pelo Conselho de Ética será aproveitado. “Todas as informações que nós agregarmos serão muito importantes como subsídio para o Ministério Público. Por enquanto saiu um relatório parcial, mas o Ministério Público vai acolher todas as denúncias substantivas que forem apresentadas”, observou.
A informação de que um novo relatório deverá ser divulgado nesta semana foi comemorada pelos deputados. Para Alberto Fraga (PFL-DF), o novo texto poderá contribuir para a cassação do mandato do deputado Josias Gomes (PT-BA) no plenário da Câmara. “A preocupação nossa é que não aconteça com o Josias o que aconteceu com o Mentor, que justificou na sua defesa o fato de não ter seu nome incluído na peça da denúncia do Ministério Público”, avaliou.
A visita dos deputados à procuradoria revelou que ainda não foi superada pelo presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), a renúncia dos integrantes do órgão. Izar se antecipou ao grupo e foi à procuradoria na última quinta para entregar os relatórios do Conselho de Ética. “O que aconteceu foi falta de conexão. Se membros do Conselho trouxeram esses relatórios na quinta à noite. ótimo, o que abunda não prejudica”, minimizou Chico Alencar.