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Municípios geradores de energia irão ingressar na Justiça contra Estado

Municípios geradores de energia irão ingressar na Justiça contra Estado

As prefeituras de Chapada dos Guimarães, Tangará da Serra, Itiquira, Jauru e Araputanga, todos municípios geradores de energia, irão ingressar com ação judicial coletiva contra o Estado cobrando revisão nos critérios de definição do repasse do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

As prefeituras de Chapada dos Guimarães, Tangará da Serra, Itiquira, Jauru e Araputanga, todos municípios geradores de energia, irão ingressar com ação judicial coletiva contra o Estado cobrando revisão nos critérios de definição do repasse do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

Esse é um dos resultados do Fórum “Alternativas para o Desenvolvimento Econômico Sustentável”, realizado hoje pela Prefeitura de Chapada dos Guimarães em parceria com a Associação dos Municípios Sedes de Usinas Hidroelétricas (AMUSUH). O evento reuniu prefeitos e representantes de trinta municípios de Mato Grosso, São Paulo e Pará.

As referidas prefeituras se sentem prejudicadas e querem garantir na Justiça o direito de incluir no Valor Adicionado (VA), um dos critérios usados para definir a divisão dos recursos do ICMS, valores referentes à geração de energia elétrica. Atualmente, o Estado só considera no cálculo os valores relacionados à distribuição.

“Precisamos mudar esse critério, que está prejudicando vários municípios. Em todo o país, apenas Mato Grosso tem essa interpretação da lei. Queremos que a divisão do ICMS para Chapada tenha um VA específico também na geração de energia”, afirmou o prefeito.

O secretário de Fazenda de Chapada dos Guimarães, Argeu Ortiz Kerber, explicou que o município poderá pedir ainda uma indenização da ordem de R$ 100 milhões por prejuízos causados pela Usina de Manso. “Recebemos apenas R$ 60 mil por mês, insuficientes para custear o ônus gerado pela implantação da usina. A energia gerada não melhorou em nada a qualidade de vida dos munícipes”, ponderou.

Especialista em direito tributário, Edson Pereira Neves afirmou que existe jurisprudência em tribunais de pelo menos quarenta municípios brasileiros. Ele cita o município de Piraí (RJ), que teve área alagada, mas não recebia pela energia gerada com a hidrelétrica.

“O município produzia energia, mas todo seu Valor Adicionado ia para o Estado e depois era rateado entre todos os municípios. A prefeitura ingressou na Justiça e, além de ganhar a causa, recebeu indenização. Hoje, o seu VA é calculado em cima da geração e da distribuição de energia. Os municípios de Mato Grosso com certeza conseguirão resultados semelhantes”, destacou.

O prefeito Gilberto Mello afirmou que se a Usina de Manso gerasse apenas 50 KW (quilowats), o município teria direito a pelo menos R$ 30 milhões a ser computado no Valor Adicionado. “A potência total da hidrelétrica é de 212 KW. Nessa situação, o município poderia ficar com R$ 150 milhões para cálculo do VA”, ressaltou.

“Mil famílias foram desalojadas e remanejadas para uma área de difícil acesso, que demandou, por exemplo, transporte escolar para as crianças, onerando os gastos da cidade. Sem contar nos problemas ambientais não compensados”, disse.

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