Os novos documentos apresentados pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL) ao Conselho de Ética do Senado vão passar por perícia técnica até a próxima terça-feira. O objetivo do conselho é comprovar se o presidente da Casa utilizou notas frias para justificar parte de sua renda financeira com a venda de gado. O conselho ainda não definiu, no entanto, quem irá periciar os documentos de Renan.
Inicialmente, alguns parlamentares chegaram a propor que os documentos fossem periciados por assessores técnicos do Senado. Mas há ainda a possibilidade de serem analisados pelo TCU (Tribunal de Contas da União), Polícia Federal, Instituto Nacional de Criminalística ou Receita Federal.
Autor da representação contra Renan no conselho, o senador José Nery (PSOL-PA) disse que os documentos não podem passar por perícia coordenada pelo próprio Senado. “Há a necessidade de quem for realizar a perícia ter isenção para fazê-la. Devem ser órgãos públicos, não o Senado. Não ficaria bem ser feita no próprio Senado”, defendeu Nery.
O senador propôs ao conselho encaminhar os documentos para perícia no TCU ou PF. Mas o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse ser contrário ao aprofundamento da análise. “É uma perícia técnica dos documentos para testar apenas a sua autenticidade. Não é uma análise contábil, senão isso não tem fim”, disse Jucá.
Para o senador Renato Casagrande (PSB-ES), a perícia poderá ser favorável ao próprio presidente do Senado se ficar constatado que Renan não usou notas frias para comprovar sua renda. “Para ajudar o Renan, ele tinha que estar em condições de ser ajudado. Para isso, os documentos tinham que ser periciados”, afirmou.
Na opinião de Casagrande, a perícia deve comprovar que Renan vacinou o gado, emitiu recibos ou notas fiscais da venda, recebeu cheques como pagamento e o dinheiro efetivamente entrou em sua conta. “Tem que fechar esse ciclo. A perícia vai ter que incluir tudo isso”, defendeu.
Segundo o senador, se a análise dos documentos não estiver concluída até terça-feira, o conselho deve novamente adiar a votação do relatório no caso Renan.
Documentos
Antes da sessão no Conselho de Ética, Renan se reuniu com parte dos senadores para apresentar novos documentos. O senador quer comprovar que não usou notas frias, como revelado pela TV Globo ontem à noite. Segundo a reportagem da emissora, o senador teria utilizado as notas para justificar sua renda pessoal. Renan quer provar ao conselho que não usou dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão e aluguel à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.
A Folha Online apurou que, desde ontem à noite, Renan disparou uma série de telefonemas para senadores na tentativa de se justificar sobre as denúncias. Disse a todos que era inocente e apresentaria provas nesta sexta-feira.
Antes da reunião do conselho, Renan se reuniu com parlamentares informalmente para apresentar documentos. Senadores do governo e da oposição se mostraram satisfeitos com as explicações de Renan.
A votação do relatório que absolve o senador, de autoria de Epitácio Cafeteira (PTB-MA), acabou adiada para a semana que vem diante do desgaste que a absolvição imediata do senador provocaria no Senado já que as novas denúncias surgiram na noite desta quinta-feira.
Cafeteira chegou a ameaçar que deixaria a relatoria do processo se o texto não fosse votado hoje. Mas voltou atrás depois que Renan telefonou para sua esposa, que intercedeu junto à Cafeteira pelo adiamento da votação. “Eu devo a vida a esta mulher. Não podia negar um pedido dela”, justificou o senador.