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O “sócio” suspeito: senador tinha procuração de lobista da operação mão-de-obra

O “sócio” suspeito: senador tinha procuração de lobista da operação mão-de-obra

O lobista Eduardo Bonifácio Ferreira, acusado pelo Ministério Público de negociar resultados de licitações no Senado, fez um contrato com o primeiro-secretário da Casa, Efraim Morais (foto) (DEM-PB), o que reforça ainda mais seu vínculo com o parlamentar. Ferreira deu ao senador poderes para representá-lo e transferir cotas de capital que possui na Chemonics Brasil Consultoria Empresarial Ltda., de acordo com procuração obtida em cartório pelo Correio.

O lobista Eduardo Bonifácio Ferreira, acusado pelo Ministério Público de negociar resultados de licitações no Senado, fez um contrato com o primeiro-secretário da Casa, Efraim Morais (foto) (DEM-PB), o que reforça ainda mais seu vínculo com o parlamentar. Ferreira deu ao senador poderes para representá-lo e transferir cotas de capital que possui na Chemonics Brasil Consultoria Empresarial Ltda., de acordo com procuração obtida em cartório pelo Correio.

Num dos relatórios de inteligência que compõem o inquérito da Operação Mão-de-Obra, a Polícia Federal levantou a suspeita de que a Chemonics, constituída em 2001, seja de “fachada”, supostamente para encobrir alguma ilicitude. A empresa alterou sua razão social para Syngular Consultoria Empresarial Ltda.

A denúncia do MP é clara: Ferreira acertou no primeiro semestre de 2006 com as empresas Ipanema e Converso os resultados das licitações que estavam sob a responsabilidade da Primeira-Secretaria, comandada por Efraim. Apesar das suspeitas, o senador prorrogou esses contratos até 2009.

Ferreira é a pessoa flagrada pela PF em 29 de junho de 2006 abrindo com uma chave pessoal o gabinete do senador, logo após as empresas ganharem as concorrências. De acordo com a investigação, o lobista se encontrou pelo menos oito vezes com os empresários suspeitos durante o processo de licitação. Além de reuniões, ele também discutia o assunto por telefone, segundo a PF.

Ferreira foi nomeado por Efraim para trabalhar na Liderança da Minoria em 2003, quando o parlamentar era o líder. O lobista ocupou o cargo até 2005. Ou seja, Ferreira não trabalhava mais no Senado em 2006, quando intermediou as licitações e foi flagrado abrindo a porta do gabinete do senador.

Desde a Operação Mão-de-Obra, em julho de 2006, Efraim não tem conseguido explicar publicamente qual sua relação com o lobista. A procuração, que está registrada no cartório do 4º Ofício de Notas de Brasília desde novembro de 2001, no entanto, desvenda ainda mais esse mistério.

O senador recebeu poderes do lobista para “representar o outorgante (Ferreira) na qualidade de sócio da firma Chemonics com a finalidade de transferir ao outorgado (Efraim), em caráter irrevogável e irretratável, 50% das cotas de capital que possui na referida empresa”. O documento não tem data de validade. Na Junta Comercial do DF, Efraim não figura como sócio da empresa.

Pelo quinto dia consecutivo, a reportagem tentou falar com o primeiro-secretário, incluindo um pedido de entrevista, mas não houve resposta. O Correio visitou o endereço da consultoria que consta no cadastro da Receita Federal. No local, funciona uma outra empresa que não tem ligação com Ferreira ou Efraim.

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