seu conteúdo no nosso portal

Operação Furação: Advogados orientam presos a não falarem

Operação Furação: Advogados orientam presos a não falarem

Indignados com a falta de informações sobre o inquérito, os advogados dos presos na operação Hurricane (furacão, em inglês) orientaram os seus clientes a não falar nos depoimentos à Polícia Federal durante a prisão temporária. Eles reclamaram que não conhecem os fatos que levaram os clientes à prisão e, por isso, a orientação dada pela maioria dos advogados é de manter o silêncio e só falar em juízo.

Indignados com a falta de informações sobre o inquérito, os advogados dos presos na operação Hurricane (furacão, em inglês) orientaram os seus clientes a não falar nos depoimentos à Polícia Federal durante a prisão temporária. Eles reclamaram que não conhecem os fatos que levaram os clientes à prisão e, por isso, a orientação dada pela maioria dos advogados é de manter o silêncio e só falar em juízo.

Até o final desta tarde, o Supremo Tribunal Federal (STF) já tinha recebido dois pedidos de relaxamento de prisão: para o desembargador federal José Eduardo Carreira Alvim e para o advogado Silvério Néri Cabral Junior. O STF somente deverá liberar o acesso dos advogados ao inquérito na próxima semana, quando forem cumpridas todas as diligências determinadas pelo relator do caso no STF, ministro Cezar Peluso. No entanto, essa falta de informações poderá dar munição para que as defesas peçam no futuro a anulação do inquérito sob a alegação de cerceamento de defesa.

Advogados e amigos dos 25 presos fizeram uma romaria desde do início da manhã, na carceragem da PF em Brasília, onde os envolvidos no escândalo estão detidos desde às 6 horas. Representantes da Federação Nacional dos Delegados da Polícia Federal também estiveram no local para prestar solidariedade aos três delegados da PF presos na operação: Carlos Pereira da Silva Susie Pinheiros Dias de Mattos e Luiz Paulo Dias de Mattos.

“Os delegados da Polícia Federal, uma classe unida, estão solidários com os seus companheiros que se encontram sob custódia. Só depois de terem transitada e julgada é que eles poderão ser considerados culpados”, afirmou Luiz Gallo, representante da Federação. Segundo ele, os três delegados ainda não conhecem as acusações. “Não podemos adiantar mais nada. Porque não sabemos nem quais são as acusações”, disse.

A advogada Consita Aires, do bicheiro Antônio Petrus Kalil, o Turcão, informou que o seu cliente só vai falar em juízo. “Ele não vai prestar depoimento porque nós não conhecemos o fato. Como vamos orientar o cliente, se ele não conhece do que está sendo acusado? É uma questão técnica”, criticou ela, estava preocupada com o risco da PF fazer uma operação tartaruga para ouvir os depoimentos, que começaram somente depois das 16 horas. Três equipes de policiais da diretoria de inteligência da PF foram encarregadas de ouvir os suspeitos. Dois dos presos foram ouvidos na sexta-feira no Rio de Janeiro.

Consita chegou logo cedo à carceragem e sua maior preocupação era com o estado de saúde do seu cliente, de 82 anos, que usa marca-passo e é o mais idoso do grupo. No entanto, a Polícia Federal informou que todos os presos passaram por exames médicos antes de viajar para Brasília e o estado de saúde deles era bom. Os cardíacos foram avaliados por uma equipe médica de um hospital especializado.

O advogado Raul Ornellas também orientou os seus clientes, os delegados Luiz Paulo de Mattos e Susie de Mattos, a não falarem no depoimento. O advogado Virgílio de Oliveira Medina, irmão do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), recebeu a visita do amigo e advogado Renato Tonini. “Estamos todos chocados.Não sabemos de nada. Só o que foi publicado na imprensa. Os advogados estão igual marido enganado. Somos os últimos a saber”, criticou.

O advogado Nélio Machado, que representa ao mesmo tempo o desembargador José Ricardo Regueira e o presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, Ailton Guimarães Jorge, o capitão Guimarães, também criticou a falta de informações. Segundo ele, o desembargador já foi perseguido antes e o STF reconheceu a sua inocência. “Nunca passou pela cabeça dele que isso poderia acontecer. Da outra vez ele foi julgado e o Supremo verificou depois de uma situação de muito sofrimento que ele não tinha feito nada além do seu dever”, disse Machado. Para ele, a operação tinha sido o resultado de algum ressentimento dessa época. “O desembargador não tem nada a se envergonhar. Ele e a sua família confiam que o pesadelo vai passar”, disse.

Compartihe

OUTRAS NOTÍCIAS

Sócio retirante desligado antes do Código Civil de 2002 não se submete ao prazo de dois anos
TJMT mantém multa aplicada a posto por falta de informação sobre preços
Borracheiro receberá adicional de insalubridade por estresse térmico