R$ 450 mil! Este o montante apreendido entre reais, dólares e pelo menos 20 cheques na casa do prefeito de Sinop (MT), Nilson Leitão (PSDB), durante a Operação Navalha, que apura um dos maiores escândalos de desvio de dinheiro público no país. A apreensão ocorreu juntamente com uma série de documentos e veículos do prefeito, mas só foi confirmada ontem pelo Ministério Público Estadual (MPE), que agora pretende investigar a origem dos recursos.
A promotora Laís Glauce Ferlin relata que os policiais federais se depararam com R$ 25 mil, outro bloco de dólares no valor total de US$ 1 mil e o restante em cheques de valores diversos de posse de Leitão, num valor total de quase R$ 450 mil. Os cheques foram emitidos por diversas pessoas da sociedade local. Entre eles estão ordens de pagamento de R$ 50 mil, R$ 20 mil e R$ 17 mil. Os titulares não foram revelados.
A apreensão do montante surpreendente foi relatada com minúcia em documentos encaminhados pela Polícia Federal em resposta à solicitação do MPE e que chegaram na segunda-feira a Sinop. Contudo, segundo a promotora, o prefeito não deu qualquer esclarecimento sobre a origem do dinheiro vivo e cheques durante depoimento ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O mandado de busca e apreensão foi cumprido pela Polícia Federal juntamente com a prisão do prefeito no dia 17 de maio, data em que foi deflagrada a Operação Navalha em vários estados do país e Distrito Federal. Laís Glauce afirma que a expectativa do MPE é de que Nilson Leitão agora preste esclarecimentos sobre o montante na fase de instrução de processo protocolado na Justiça de Sinop na última sexta-feira (22).
A ação civil pública foi protocolada contra 14 pessoas e empresas. Além de Leitão, foram indiciados o dono da construtora Gautama, Zuleido Veras, apontada como o quartel-general do esquema de desvios, e o ex-secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente de Sinop, Jair Pessine. Além da perda de mandato do prefeito e dos direitos políticos dos supostos envolvidos, o MPE também pede o pagamento de indenização de R$ 20 milhões aos cofres municipais.
A intenção do MPE é de que os R$ 450 mil ainda sejam empregados como caução ao pagamento de indenização caso o pleito seja deferido pela Justiça. A promotora explica que o Ministério Público aguardará a conclusão da fase de defesa para adotar novos encaminhamentos e investigações no caso.
Ela lembra que, caso constatados indícios de conduta criminal na aquisição do dinheiro, o caso deverá ser encaminhado diretamente ao Tribunal de Justiça do Estado. “Vamos aguardar os argumentos da defesa. De qualquer maneira, o prefeito precisa explicar o que esse dinheiro estava fazendo lá, quais as razões e a origem”. Diário de Cuiabá