Agentes federais foram à sede da empresa Gautama, no Centro Empresarial Eldorado, em Salvador, no último dia 17, em busca de provas.As investigações da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividade Financeira (Coaf) indicam que a Construtora Gautama usava outras empresas de fachada para supostamente “lavar” recursos obtidos em contratos irregulares assinados com o setor público. Os auditores do fisco iniciaram na semana passada uma devassa na Gautama e nas outras empresas de Zuleido Veras. As investigações atingem também outros empresários, lobistas e políticos, presos na Operação Navalha pela Polícia Federal sob a acusação de fraude em licitações, corrupção, superfaturamento de obras e desvio de dinheiro público.
Segundo levantamento dos auditores da Receita, as empresas suspeitas de Zuleido funcionam no mesmo endereço: uma sala no 7º andar da Rua José Peroba no centro de Salvador. É nesse local, por exemplo, que está sediada a Silte Participações Ltda., empresa fundada por Zuleido e seu filho Rodolpho de Albuquerque Soares Veras em maio de 2003.
Detentora de 99% do capital da Gautama, a Silte chamou a atenção dos auditores por ter movimentado valores bem acima aos declarados ao fisco. Os técnicos da Receita acreditam que as contas dessa empresa eram utilizadas no pagamento de propina a funcionários públicos e na compra de imóvéis de Zuleido e de seus familiares.
Investigações
Também estão sediadas no mesmo escritório a Focos Participações S/A e a Patrimonial Cambial S/A, criadas no ano passado por Zuleido para movimentar os recursos vindos do contratos assinados por empreiteiras do grupo com as prefeituras de São Paulo e Mato Grosso. Os auditores investigam ainda a Ecosama e a Construtora Mandala, criada por Rodolpho Veras exclusivamente para gerir os recursos gerados com o contrato de saneamento com a Prefeitura de Mauá (SP).
As análises preliminares mostram também que Zuleido usava empresas de seus funcionários para supostamente participar de licitações fraudulentas e para receber dinheiro público. Na mira dos auditores fiscais está, por exemplo, a Trópicos Empreendimento e Construção, empresa de propriedade do engenheiro e diretor da Gautama Abelardo Sampaio Lopes Filho. Responsável pela assinatura de contratos em São Paulo e na Amazônia, Abelardo foi um dos funcionários da Gautama presos durante a Operação Navalha.
Contratos
Na primeira fase de investigação, os auditores estão cruzando os dados das declarações de Imposto de Renda com as movimentações financeiras das empresas de Zuleido e dos demais envolvidos. A Receita está checando também se todos os recursos vindos de contratos com o poder público e com outras empreiteiras e fornecedores estão devidamente declarados. Numa fase posterior, os auditores solicitarão os balanços contábeis das empresas.
A devassa da Receita foi aberta com o objetivo de investigar os crimes de sonegação fiscal e contra ordem tributária. Mas, segundo auditores, o farto material recolhido durante as investigações certamente ajudaram a Polícia Federal e o Ministério Público Federal a denunciar os envolvidos pelos crimes contra ordem financeira e por lavagem de dinheiro. Os técnicos da Receita lembram que até o momento as investigações do serviço de inteligência da PF estão embasados exclusivamente em escutas telefônicas. Os auditores fiscais não conseguem entender por que até o momento os policiais federais não requisitaram as quebras do sigilos fiscais e bancários dos investigados.
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Os vários braços da Gautama
Silte Participações S/A
Empresa de Zuleido Soares, com sede em Salvador, que atua na bolsa de valores e detém 99% do capital da Construtora Gautama
Focos Participações Ltda
Empresa de participações fundada no ano passado ano por Zuleido e seu filho Rodolpho Veras. Usada para aquisição de imóveis e supostamente para o pagamento de propinas
Patrimonial Cacimba S/A
Empresa criada este ano em Salvador por Rodolpho Veras para movimentar os recursos dos contratos de Saneamento com a Prefeitura de Mauá
Jane Eyre Participações
Empresa do grupo Gautama que antecedeu a Silte Participações e a Focos Participações
Trópicos Empreendimentoe Construção
Empresa do funcionário da Gautama Abelardo Lopes. É suspeita de atuar como empresa de fachada nos contratos irregulares
Ecosama – Empresa Concessionária de Saneamento de Mauá
Criada pelo grupo Gautama para gerenciar os contratos de saneamento assinado com a Prefeitura de Mauá
Construtora Mandala
Empresa criada por Rodolpho Veras em Salvador supostamente para gerenciar contratos suspeitos em São Paulo