O esquema de corrupção montado pelo empresário Law Kin Chong, acusado de ser o maior contrabandista do País, contou, nos últimos anos, com a participação de dois juízes do Tribunal Federal de São Paulo, dois subprocuradores da República lotados em Brasília, três ocupantes de cargos públicos importantes e mais de três assessores políticos, segundo levantamento feito pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Shogun.
Os investigadores estimam que relacionamentos como esse teriam custado ao empresário nada menos que U$ 50 milhões (R$ 150 milhões) gastos no pagamento de compras de sentenças judiciais e propinas a servidores do estado. O “investimento” teria possibilitado a Chong uma movimentação financeira avaliada em cerca de U$ 1 bilhão (R$ 3 bilhões). A PF vai solicitar permissão à Justiça Federal para investigar os magistrados.
Conforme os levantamentos, um dos dois juízes que estão sob suspeita foi citados em gravações feitas durante a Operação Anaconda, realizada pela PF no ano passado. Nela, foram presos policiais federais, o juiz federal João Carlos da Rocha Mattos, que continua preso em Brasília, e a auditora aposentada da Receita Federal Norma Regina Emílio Cunha, ex-mulher do magistrado.
A PF também teria rastreado supostas tentativas de lobby feitas por Chong junto a tribunais superiores para tentar conseguir um habeas corpus para livrá-lo das grades. O empresário estaria disposto a pagar US$ 3 milhões pela decisão, conforme as apurações.