BRASÍLIA – A Polícia Federal vai instaurar inquéritos para investigar indícios de fraudes em licitações do Exército, Correios, Petrobrás, Infraero e INSS. As informações sobre eventual fraude em compras feitas por estes órgãos públicos surgiram a partir de escutas telefônicas e depoimentos de pessoas envolvidas com as fraudes no Ministério da Saúde, reveladas pela Operação Vampiro.
No Exército, a concorrência sob suspeita de fraude é deste ano. Em algumas escutas telefônicas dos 17 lobistas, empresários e servidores públicos presos pela Operação Vampiro, há referências a licitações em outros órgãos públicos. A suspeita é de que a quadrilha tenha realmente cometido fraudes em várias áreas do governo.
– Existem nestes órgãos indícios fortes de irregularidade – afirma um investigador.
No depoimento, o lobista Francisco Danúbio Honorato afirmou que havia feito contato com os Correios, a Infraero, a BR Distribuidora e o Senado. Honorato foi contratado pelo empresário Jaisler Jabour de Alvarenga. Ambos presos na Operação Vampiro.
A PF entregou ontem à Justiça Federal e ao Ministério Público o relatório do primeiro inquérito da Operação Vampiro. A PF comprovou a existência de fraudes em quatro concorrências da Saúde, para compra de insulina, aquisição de medicamentos para atender desabrigados pela seca, hemoderivados e máquinas.
Ao todo, foram 18 os indiciados, incluindo os empresários Jaisler Jabour de Alvarenga e Lourenço Rommel Pontes Peixoto e o lobista Laerte de Arruda Correa Júnior. Os três estão presos. Lourenço e Jaisler teriam pago as propinas aos servidores públicos. A maioria dos indiciamentos é por formação de quadrilha, corrupção e fraude. O ex-coordenador de Recursos Logísticos do Ministério da Saúde Luiz Cláudio Gomes da Silva também está na lista.
Novos nomes aparecem no relatório entregue à Justiça Federal, como o de Cléia Lacerda, que não tinha sido presa pela Operação Vampiro. Também foi indiciado Márcio Godoy Garcia Coelho, que teria emprestado sua conta bancária para a quadrilha. Coelho seria parente do lobista Armando Garcia Coelho, que não foi indiciado. Também não serão submetidos a inquérito a servidora MyISAMne Alves e o lobista Marcos Jorge Chain. Na lista de investigados aparece ainda o nome de Roberto Luiz Guttman, que seria representante de um laboratório.
A PF também poupará Sérgio Noschang, executivo responsável na América Latina pelo laboratório Novo Nordisk. Este laboratório é suspeito de pagar propinas aos servidores públicos. Noschang decidiu colaborar com a investigação e mostrou que não está envolvido com o esquema. A PF, no entanto, indiciou um representante do Novo Nordisk no Brasil, Lino Florentino, que poderá responder a processo se a Justiça acolher a denúncia.
A investigação da Operação Vampiro mostrou que não há envolvimento de políticos do PT com as fraudes na Saúde. Segundo os investigadores, alguns dos lobistas tentaram atribuir as fraudes ao PT como estratégia para transformar o caso em crime eleitoral. Apesar disso, a PF ainda deverá ouvir Delúbio Soares, tesoureiro do PT, citado em depoimento. Também não ficou comprovado qualquer envolvimento do ministro da Saúde, Humberto Costa, com as fraudes.
Outra informação não comprovada pelos investigadores é o suposto desvio de R$ 2 bilhões ao longo dos últimos 13 anos, estimativa do Ministério da Saúde. A PF também não confirmou nas investigações a ligação das fraudes atuais com o esquema da época de Paulo César Farias, o PC Farias, caixa de campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello.