Cinco vereadores e um advogado da Câmara Municipal de Santa Rita do Pardo (MS) foram presos na madrugada desta quarta-feira sob a acusação de extorquir dinheiro da prefeita Eledir Barcelos de Souza (PT), 42, em troca da não-abertura de um processo de impeachment contra ela. Eles queriam, segundo a prefeita, receber uma “mesada” de R$ 2.500 cada um. A Câmara tem apenas nove vereadores e até a presidente da Casa foi presa.
As prisões, feitas por oito policiais civis e militares, ocorreram quando a prefeita estava entregando R$ 12.500 em notas de R$ 50 aos cinco vereadores no prédio da Secretaria de Educação, segundo a Polícia Civil, que fez o flagrante. Passava da meia-noite.
O advogado da Câmara, também preso, estava presente pois tinha a garantia de receber R$ 5.000 mais tarde, segundo Souza, por supostamente conseguir abaixar o valor da mesada. Inicialmente, os vereadores teriam pedido R$ 5.000 por mês cada um.
A prefeita afirmou que o grupo queria ainda mensalmente 400 litros de gasolina, mais o equivalente a R$ 2.500 em compras em farmácias e R$ 1.500 para aquisições em supermercados. “Eles pediam que tudo fosse bancado pelo erário. Gastaríamos R$ 700 mil por ano. Isso para um município que arrecada R$ 900 mil por mês”, afirmou Souza
Júlio César Cestari Mancini, advogado dos seis presos, disse à imprensa que o grupo nega ter extorquido a prefeita. Eles teriam ido à reunião, convocada por Souza, para tratar de suspeitas de improbidade administrativa na prefeitura.
Até o início da noite desta quarta, o interrogatório dos presos continuava. Sem dar mais detalhes, Mancini pediu para a Folha ligar às 17h, mas desde então seu celular permaneceu desligado. O delegado da Polícia Civil Marcelo de Lima Alonso estava tomando depoimento e não pôde falar sobre o caso.
Na segunda-feira passada, a Câmara aprovou a instauração de uma CEI (Comissão Especial de Investigação) contra a prefeita. Um dos fatos a serem apurados era a acusação feita pelo fotógrafo Aparecido dos Santos de que a prefeita consertava carros oficiais em oficinas mecânicas antes de licitar o serviço –ou seja, favorecia a determinada empresa.
Na versão da prefeita –candidata única em 2004, eleita com 73% dos votos de 4.395 eleitores–, o grupo de vereadores tentava a extorsão desde dezembro, ameaçando aceitar qualquer acusação que poderia levar ao impeachment dela. Para tanto, seriam necessários os votos de seis dos nove vereadores.
A prefeita disse que, com orientação policial, fez um empréstimo no banco no valor de R$ 12.500. Tirou fotocópia de cada uma das notas de R$ 50 e foi à reunião entregar o dinheiro ao grupo, avisando antes a polícia sobre o encontro.
Foram presos Zenilda Gregório de Souza (sem partido), presidente da Câmara, eleita em 2004 pelo PL; Marcelo Goulart (sem partido), ex-PT; Oziel Dias Leal (PDT); Antônio Carlos Castelo Branco (PL); e Ana Ruth Faustino (PL), vereadora mais votada no município, com 375 votos. Completa a lista o advogado Enevaldo Alves da Rocha.