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Preso morre enforcado em cela do Exército

Preso morre enforcado em cela do Exército

O juiz Edmundo Franca de Oliveira, da 2 Auditoria Militar do Rio, determinou ontem uma rigorosa investigação para saber as circunstâncias da morte de Evandro Alixandre Alves, de 32 anos, ocorrida no sábado numa cela do quartel do Primeiro Depósito de Suprimento do Exército, no Rocha. Evandro foi preso na madrugada da sexta-feira passada, quando tentava invadir sozinho e desarmado o quartel. No dia seguinte, por volta das 7h, ele foi encontrado enforcado com pedaços de lençol. A versão de suicídio apresentada pelo Exército não convenceu. O caso será investigado pelo Ministério Público Militar.

O juiz Edmundo Franca de Oliveira, da 2 Auditoria Militar do Rio, determinou ontem uma rigorosa investigação para saber as circunstâncias da morte de Evandro Alixandre Alves, de 32 anos, ocorrida no sábado numa cela do quartel do Primeiro Depósito de Suprimento do Exército, no Rocha. Evandro foi preso na madrugada da sexta-feira passada, quando tentava invadir sozinho e desarmado o quartel. No dia seguinte, por volta das 7h, ele foi encontrado enforcado com pedaços de lençol. A versão de suicídio apresentada pelo Exército não convenceu. O caso será investigado pelo Ministério Público Militar.

— Pedi a qualificação completa do rapaz, seus antecedentes e detalhes de sua vida. Isso não é comum e precisa ser bem investigado — disse o juiz Edmundo de Oliveira.

Invasor foi preso por volta das 3h ao pular muro

No depoimento que prestou aos seus superiores do Primeiro Depósito de Suprimento, ao qual O GLOBO teve acesso, o soldado Wellington da Silva Alencar, de 19 anos, contou que estava de serviço no posto 2 quando, por volta das 3h, percebeu que um homem escalava o muro do quartel. Imediatamente rendeu o invasor (Evandro) e o obrigou a deitar no chão.

Pelo rádio, o soldado comunicou o caso ao tenente Alexsandro Arruda da Rocha, que correu para o local e algemou Evandro, levando o caso ao conhecimento do comandante da unidade. O flagrante foi lavrado pelo coronel Edval Freitas Cabral Filho.

A promotora do Ministério Público Militar, Eliane de Azevedo Vale Ferreira, em ofício, solicitou o imediato envio da cópia do exame de necropsia feita pelo Exército. No ofício número 002 encaminhado à Justiça Militar, o coronel Edval Freitas Cabral Filho explicou que foi “realizada perícia pela Polícia do Exército (PE) no local e trasladado o corpo para o Hospital Central do Exército (HCE) a fim de ser realizado o exame cadavérico”.

Ainda segundo o coronel Edval, foi instaurado inquérito policial-militar (IPM) para apurar as circunstâncias do fato, sendo designado como encarregado o capitão Marcos Caetano de Amorim.

Comandante recebeu ameaças de traficantes

Um experiente promotor do Ministério Público Militar estranhou que um rapaz sozinho e desarmado tenha tentado invadir o quartel.

— É uma história muito estranha — afirmou, preferindo não ser identificado.

O juiz Edmundo Franca de Oliveira, ouvido pelo GLOBO, confidenciou que na sexta-feira, depois da prisão do rapaz, o comandante da unidade ligou diversas vezes para ele dizendo que “havia informes de que traficantes tentariam invadir o quartel para resgatar Evandro”.

— Ele ligou várias vezes, mas a tal invasão não ocorreu — contou o juiz.

No auto de flagrante, Evandro — ao prestar depoimento — contou pouco sobre sua vida: disse apenas que morava no bairro do Jacaré e era maranhense. Interrogado pelo coronel Edval, ele preferiu só depor em juízo.

— Me reservo o direito de prestar esclarecimento somente em juízo — afirmou em depoimento Evandro.

Depósito do Exército fica em área cercada de favelas

O Primeiro Depósito de Suprimento fica localizado na Rua Dr. Garnier 390, no Rocha, e é cercado de favelas. Uma delas é a Favela do Jacarezinho. Por causa da proximidade com áreas dominadas por traficantes, os soldados ficam em alerta permanentemente.

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