Recife – Dois séculos de uma história contada e recontada e que pode ser apenas uma lenda. Quem já visitou o Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco, ou leu a respeito da história do lugar, com certeza já ouviu que o nome é uma homenagem às filhas do imperador Dom Pedro II e da imperatriz Teresa Cristina, as princesas Isabel e Leopoldina.
A razão da homenagem teria sido uma viagem feita pela família real ao estado no ano de 1859. Na ocasião, as duas princesas teriam brincado nos jardins do palácio. Essa versão, facilmente encontrada em livros e sites, é contestada pelo genealogista Reinaldo Carneiro Leão, pesquisador do Instituto Arqueológico e Histórico de Pernambuco (IAHGP), para quem tudo não passa de lenda. Mas há quem defenda que elas estiveram, sim, em solo pernambucano.
Segundo Carneiro Leão, as princesas não acompanharam o imperador na viagem de dois meses que ele fez a Pernambuco, na segunda metade do século 19. Ele sustenta que ambas ficaram no Rio de Janeiro. “O imperador veio apenas com a imperatriz e, em outra ocasião, a princesa Isabel visitou o estado três vezes. Já a princesa Leopoldina nunca colocou os pés aqui”, contou Reinaldo, que cita como fonte o testemunho dos seus ancestrais e registros da passagem das princesas pela capital fluminense.
Já o arquiteto e historiador Fernando Guerra afirma que Isabel e Leopoldina estiveram, sim, no palácio. Segundo ele, na ocasião houve uma grande mobilização da sociedade pernambucana para a chegada da realeza. “Os mais abastados à época chegaram a emprestar mobiliário e utensílios para receber a família.” De acordo com ele, Leopoldina passou pouco tempo, enquanto Isabel retornou algumas vezes.
Em um ponto os dois pesquisadores concordam. O nome do Palácio do Campo das Princesas foi aprovado pela Câmara do Recife. “E, na época, ainda não havia jardim”, declarou Reinaldo Carneiro Leão. O formato em jardim veio bem depois, com o francês Emile Beringer, no século 19. Por volta de 1934 o paisagista Burle Marx criou o projeto que é conhecido até hoje.
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