A conversão de processos judiciais em arquivos digitais já chegou ao Judiciário do Estado do Rio de Janeiro. Pelo menos no Museu da Justiça, órgão responsável pela preservação da memória do Judiciário fluminense. Por meio de fotografias digitais, o Museu reproduziu, até o momento, 163 processos, alguns relativos a crimes de grande repercussão .
O Programa de Arquivo Digital do Museu da Justiça envolve o trabalho de digitalização dos processos e livros históricos de valor singular existentes em seu acervo. Com a digitalização, todas as informações em papel adquirem um formato que pode ser entendido pelo computador. A nova tecnologia facilita o acesso dos pesquisadores às fontes, preservando, ao mesmo tempo, o documento original, na medida em que evita o manuseio inadequado.
Acidente de JK
Recentemente, o presidente do Museu da Justiça do Rio, desembargador Fonseca Passos, entregou ao presidente do TJRJ, desembargador Sergio Cavalieri Filho, o CD com a reprodução digital do processo relativo à ação penal impetrada contra o motorista da Viação Cometa, Josias Nunes de Oliveira. Ele foi acusado da morte ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. O acidente automobilístico que vitimou JK ocorreu no 22 de agosto de 1976, no km 165 da Rodovia Presidente Dutra, no Município de Resende. Na ocasião, também morreu Geraldo Ribeiro, motorista do ex-presidente.
O processo de homicídio culposo, que tramitou na Comarca de Resende, veio para a capital a pedido do desembargador Fonseca Passos, e teve todas as suas folhas digitalizadas pelos técnicos do Museu da Justiça. Por medida de segurança, o processo original ficará no cofre do Tribunal de Justiça, mas o CD estará disponível para consulta por pesquisadores e demais interessados.
Ao receber o CD, o desembargador Sergio Cavalieri Filho lembrou que ouviu os depoimentos das testemunhas do processo do ex-presidente Juscelino Kubitschek, quando ainda era juiz substituto. Ele felicitou a direção do Museu da Justiça pelo cuidado com a preservação da memória do Judiciário.
Entre os demais processos digitalizados estão o do escritor Euclides da Cunha; do atentado ao deputado Carlos Lacerda, que resultou na morte do major Rubem Vaz, e os inventários do jurista Rui Barbosa e de D. Amélia de Bragança, membro da família imperial.
O Museu da Justiça está localizado na Rua Dom Manuel nº 29, no Centro, e conta com um acervo de cerca de 20 mil processos, 1.600 livros judiciais e 105 horas em arquivos sonoros e visuais.