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Promotor de Justiça diz que preso cuidou de delegacia por 2 dias no RN

Promotor de Justiça diz que preso cuidou de delegacia por 2 dias no RN

Um detento condenado a dez anos por tentativa de homicídio ficou durante dois dias cuidando sozinho da delegacia onde estava preso, em Paraú (249 km de Natal-RN). A informação consta de um ofício encaminhado à Secretaria da Segurança Pública do Estado pelo promotor Fausto França. Ele recebeu a denúncia de três moradores da cidade --entre eles, um advogado e um oficial de Justiça. A secretaria nega a irregularidade.

Um detento condenado a dez anos por tentativa de homicídio ficou durante dois dias cuidando sozinho da delegacia onde estava preso, em Paraú (249 km de Natal-RN). A informação consta de um ofício encaminhado à Secretaria da Segurança Pública do Estado pelo promotor Fausto França. Ele recebeu a denúncia de três moradores da cidade –entre eles, um advogado e um oficial de Justiça. A secretaria nega a irregularidade.

Segundo a denúncia, Antônio Lourenço do Nascimento, único detido no local, ficou sozinho na delegacia terça e quarta-feira passadas, depois que o delegado da cidade foi exonerado e os outros policiais não foram trabalhar.

As testemunhas que enviaram a denúncia afirmaram que o preso os recebeu na delegacia, abriu a porta e até informou que o delegado não estava.

“É aquele preso que deixam varrer a delegacia, sair da cela uns instantes. É o que chamam de preso de confiança, o que é absurdo. Se está preso, não é de confiança”, disse França.

A exoneração do delegado aconteceu depois de uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que julgou ilegal a norma estadual que possibilitava que policiais militares não concursados nem obrigatoriamente bacharéis em direito ocupassem a função.

No total, 145 municípios (86% do total) do Rio Grande do Norte devem ficar sem delegado, até que novos concursados assumam.

Segundo o promotor, “o problema é que a secretaria [de Segurança Pública] não se organizou para fazer um concurso previamente”.

Em Paraú, França afirmou que o efetivo policial é menor do que o necessário. “Eram para ser oito policiais, mas estavam trabalhando apenas seis. Sem o delegado e um outro policial, que foi afastado, ninguém organizou a escala dos outros quatro. Alguns até moravam em outras cidades”, disse.

O delegado-geral adjunto do Estado, Antônio Marcos Peixoto, informou que o preso foi transferido hoje para o presídio do município de Assu (218 km de Natal). Peixoto nega que o preso tenha ficado, em qualquer momento, sozinho.

Além de avisar a secretaria, o promotor pediu que um delegado de uma cidade vizinha fosse designado para cuidar da cidade. Ele também pediu a abertura de uma sindicância junto à Corregedoria da secretaria.

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