Rio – As novas tecnologias que revolucionam e facilitam a vida de muitas pessoas são agora as recentes armas de advogados em causas judiciais. E-mails, vídeos no YouTube, torpedos eletrônicos, depoimentos e imagens em sites de relacionamentos têm sido bem recebidos por juízes e se transformado em garantia de ganho de causa na Justiça do Trabalho.
Bom exemplo é do ex-auxiliar de expedição da Têxtil Tabacow (SP) demitido após a empresa saber que um vídeo no YouTube mostrava o funcionário realizando manobras perigosas com uma empilhadeira da empresa. Ao analisar as imagens, a juíza Elizabeth Priscila Satake Sato indeferiu o pedido do trabalhador, que alegava que a dispensa por justa causa não tinha motivo. A juíza considerou que o funcionário utilizou a máquina de forma indevida, “brincando” durante o horário de trabalho. A atitude foi entendida como “mau procedimento”, previsto no Artigo 482 da CLT, legitimando a demissão por justa causa.
O advogado José Luiz Machado já ganhou ações em que e-mails e Orkut se constituíram como prova fundamental. Em um dos processos que defendeu, a Justiça deu parecer favorável a um empregado que queria comprovar relação trabalhista: “Oitenta por cento das provas eram e-mails que, ligados a demais documentos, comprovaram o vínculo empregatício”, conta José Luiz.
Em outro processo, a partir de um recado no Orkut, foi descoberto que a testemunha que havia prestado depoimento tinha ligação com o réu. Para o advogado, a tendência é que a Justiça se abra cada vez mais para as novas tecnologias: “Em virtude do mundo globalizado, o Judiciário não pode fechar os olhos para essas novas provas, sob pena de cair num vácuo”. Ele ressalta que caso haja desconfiança da idoneidade da prova, caberá aos magistrados requerem perícia: “Tudo vai depender do caso concreto e de como essa prova aparece. Se é verídica não há porque não aceitá-la”, concluiu.
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