O Partido dos Trabalhadores fez acordo para pagar a dívida com o Banco BMG, que tem como principal avalista o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado pela CPI dos Correios de ser o operador do mensalão. A dívida de R$ 2,4 milhões, contraída em 2003 pela Direção Nacional do PT, com o aval do empresário, hoje já alcança R$ 5 milhões. O débito começou a ser pago em setembro, depois de um acordo firmado com o BMG em agosto do ano passado. A negociação foi feita depois do bloqueio de R$ 122.526,37 em aplicações financeiras que o ex-tesoureiro Delúbio Soares tinha em quatro contas do Banco Nossa Caixa, em São Paulo.
A primeira parcela recebida pelo banco correspondeu exatamente aos valores bloqueados nas contas de Delúbio. O dinheiro foi depositado em juízo e liberado em setembro do ano passado, quando o partido e o banco selaram o acordo na Justiça. A previsão é que o PT quite o débito até 30 de abril do ano que vem. Até essa data, o processo está suspenso na Justiça mineira, onde já tramitam outras ações de execução, envolvendo empréstimos feitos pelo PT e pelas empresas ligadas ao empresário Marcos Valério, que teriam sido usados para irrigar os cofres do partido na vigência do mensalão.
O débito com o BMG foi dividido em quatro parcelas de R$ 80 mil, que começaram a ser pagas a partir de setembro, além dos R$ 122 mil liberados imediatamente depois do fechamento da negociação. O partido também está pagando parcelas trimestrais de R$ 773.389. A primeira das seis parcelas venceu em janeiro deste ano. Caso pague o débito em dia, o PT tem direito a um desconto de R$ 273 mil nas cinco primeiras parcelas e de R$ 223.145 na última.
Antes desse acordo, o banco tentou bloquear bens do partido no valor total da dívida, mas não foi possível, pois todo o patrimônio do PT não era suficiente para zerar o débito. Foi bloqueada então a conta de José Genoino, que ainda não era deputado federal e só tinha depositado no banco o valor da sua aposentadoria como parlamentar. Como a Justiça não autoriza o bloqueio de recursos usados para o sustento próprio, as contas do ex-presidente do PT foram liberadas e as de Delúbio bloqueadas. No processo, Marcos Valério tenta sair da lista de réus na execução, alegando que já não é mais avalista do partido. O juiz já tinha determinado ao empresário que indicasse bens para a penhora para garantir o pagamento da dívida.
O banco decidiu executar o partido em agosto de 2005, logo depois do estouro do escândalo do mensalão. O primeiro empréstimo foi dividido em cinco prestações, sendo a última com vencimento em julho de 2003, mas teve quatro renegociações. Uma das parcelas, no valor de R$ 349,9 mil, chegou a ser paga por Valério, que se tornou credor do PT. Por meio de suas empresas, que também estão sendo executadas na Justiça, e mediando negociações com bancos mineiros, o empresário alega ter tomado empréstimos para o PT no valor de R$ 55,2 milhões, dinheiro que teria sido repassado para petistas e aliados para bancar as eleições municipais de 2004.