O advogado da jornalista Mônica Veloso, Pedro Calmon Filho (foto), afirmou em depoimento desta segunda–feira no Conselho de Ética do Senado que o presidente do Senado, Renan Calheiros, fez acordo com a jornalista Mônica Veloso para pagar R$ 9 mil de pensão “por fora”.
A razão seria o fato de os rendimentos como senador não poderem cobrir o custo dos R$ 12 mil pagos desde dezembro de 2005, quando Renan assumiu a paternidade de filha de Mônica. “Ele propôs o pagamento de R$ 3 mil oficialmente e de R$ 9 mil, oficiosamente, por fora”, anunciou.
A revelação veio à tona quando os senadores questionaram sobre a validade de recibo de duas parcelas de R$ 50 mil em 2006. Os valores tratavam de pagamentos atrasados de pensão. Os atrasos teriam ocorrido porque Renan teria descumprido acordo e pago somente R$ 3 mil descontados no contracheque.
Segundo o advogado, Renan pagou R$ 12 mil de pensão informal a Mônica Veloso entre o final de 2004, quando nasceu sua filha com jornalista, e dezembro de 2005. Porém, em outubro de 2006, o pagamento dos R$ 9 mil foi suspenso. “Então entrei com uma petição para requerer o pagamento do valor”, afirmou. O caso foi arquivado em maio deste ano, quando, em audiência judicial, as partes concordaram com pagamento de R$ 7 mil.
O advogado de Renan Calheiros, Eduardo Ferrão, rebateu as declarações de Calmon. Ele afirmou que o acordo não pode ser comprovado e que os R$ 9 mil excedentes foram pagos porque “Renan é um homem digno”. “Nada disso estaria acontecendo se ele tivesse pagado apenas os R$ 3 mil”, atacou. O senador não comentou o caso e chamou Calmon de “pinóquio”.
Advogado bate-boca em depoimento
O depoimento do advogado Pedro Calmon Filho foi marcado por diversos bate-bocas. A primeira discussão ocorreu com o presidente do Conselho, Sibá Machado (PT-AC).
Ao ser insistentemente questionado por Sibá sobre a legalidade do recibo que assinou para comprovar recebimento de R$ 100 mil por parte do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), Calmon Filho disse, bastante irritado, que estava repetindo as mesmas informações “pela quarta, quinta vez”.
“Sou advogado, vim de espontânea vontade. Não precisava nem ter vindo. Se não for para eu esclarecer (os fatos), gostaria que me dispensassem”, reagiu irritado repetindo que os R$ 100 mil pagos por Renan Calheiros a Mônica Veloso referiam-se a complemento de pensão alimentícia à filha que o senador tem com a jornalista.
Em seguida, irritado, Calmon Filho bateu boca com o senador Valter Pereira (PMDB-MS), que o acusou de ter assinado um recibo “de mentirinha”. “Quem fez o recibo foi aquele ali”, afirmou apontando para o advogado de Renan Calheiros, Eduardo Ferrão, que acompanha a sessão desta tarde. “Se fizer perícia no computador dele, vai ver que está lá”, completou. Pedro Calmon filho desafiou qualquer pessoa no Brasil a provar que o pagamento feito por Renan fosse para constituir um fundo visando cobertura de despesas futuras com a educação de sua filha.
O advogado afirmou que não mais responderia perguntas do senador Pereira e que o fato de ter assinado o recibo pró-forma não constituía crime. Mesmo com a recusa a responder a novas perguntas, o advogado disse a Valter Pereira que não tinha conhecimento da origem do dinheiro entregue a Mônica Veloso. Irônico, respondeu: “nunca vi dinheiro ter escritura ou certidão de nascimento”.
(*com Agência Estado)