O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PB, Alexandre Guedes, afirmou, neste domingo (17), que entrará com um ofício junto ao Ministério Público para averiguar as causas da morte do presidiário Vanildo Nascimento. Segundo o advogado, a morte dele deve ser esclarecida, afirmando que não sabe o que aconteceu, mas existe algo estranho. “É preciso ser feito um exame de balística. Se os tiros não foram em lugares fatais, possivelmente houve negligência médica. E mesmo que não tenha havido negligência acredito que houve abuso de poder policial.”
Segundo Guedes, várias denúncias de que quando os presidiários chegam no sistema hospitalar seriam colocados em uma lista secundária e não teriam prioridade. Alexandre afirmou que nenhum ofício foi enviado para o Ministério Público sobre outros casos por medo dos familiares do presidiários que já morreram.
“Se os médicos estiverem realmente deixando estes pacientes de lado, eles estão negando atendimento. A função da medicina é proteger a vida”, falou. E completou: “diferenciar paciente por ele ser presidiário é preconceito. O médico estaria negando tratamento e condenando o paciente. Julgar não é função dele.”
Procurado pelo Paraíba1, o diretor do Hospital de Emergência e Trauma, Jomar Paulo Neto, afirmou que não existe nenhuma diferenciação entre pacientes, independente dele ter sido condenado pela justiça ou ter cometido algum delito. “Isto jamais aconteceu, o hospital salva vidas, não interessa de quem. Queremos que a vida seja preservada com todos os rigores. Não deixaríamos um paciente à mingua”, declarou.
Protesto da População
Na manhã deste domingo, a população de Cabedelo protestou contra a morte de Vanildo, conhecido como “Gaynão”. O presidiário morreu na madrugada de sábado (16) após ser baleado quando estava sendo recapturado pela polícia. “Gaynão” fugiu da sala de espera do Fórum da Comarca de Cabedelo, na última sexta-feira (15) quando ia prestar um depoimento. Ele estava preso desde janeiro deste ano no presídio de Santa Rita.
A população diz que a morte do presidiário teria sido armada por ele ser testemunha chave de um crime, em que três policiais teriam matado um rapaz conhecido como Cleyton, na tentativa de matar o próprio Vanildo. De acordo com a polícia, ele era acusado de assassinar um policial militar, participar do tráfico de drogas na região e ameaçar de morte o juiz Salvador Vasconcelos.