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Rio: Ministério Público apura as execuções pela PM na favela

Rio: Ministério Público apura as execuções pela PM na favela

O Ministério Público do Rio decidiu checar o trabalho de perícia feito pelo Instituto Médico Legal (IML) para determinar as circunstâncias das mortes de 19 pessoas na operação policial feita no Complexo do Alemão em 27 de junho. Mas promotores públicos decidiram ampliar as investigações. O grupo técnico do MP vai examinar os laudos cadavéricos das mais de 40 pessoas mortas durante os confrontos entre policiais e traficantes nos últimos dois meses. O cerco da polícia ao tráfico no Alemão começou em 2 de maio e já resultou na morte de 48 pessoas e 76 feridos. A perícia do IML indica que pelo menos três pessoas teriam sido mortas com tiros na nuca. Outras cinco foram atingidas por disparos nas costas. A suspeita é de que policiais tenham promovido uma execução. Dos três mortos com tiros na nuca, dois são menores de idade.

O Ministério Público do Rio decidiu checar o trabalho de perícia feito pelo Instituto Médico Legal (IML) para determinar as circunstâncias das mortes de 19 pessoas na operação policial feita no Complexo do Alemão em 27 de junho. Mas promotores públicos decidiram ampliar as investigações. O grupo técnico do MP vai examinar os laudos cadavéricos das mais de 40 pessoas mortas durante os confrontos entre policiais e traficantes nos últimos dois meses. O cerco da polícia ao tráfico no Alemão começou em 2 de maio e já resultou na morte de 48 pessoas e 76 feridos. A perícia do IML indica que pelo menos três pessoas teriam sido mortas com tiros na nuca. Outras cinco foram atingidas por disparos nas costas. A suspeita é de que policiais tenham promovido uma execução. Dos três mortos com tiros na nuca, dois são menores de idade.

Os peritos do Ministério Público vão promover uma análise crítica e científica dos laudos referentes a todos homicídios ocorridos desde o início da ocupação no Alemão. ONGs ligadas à luta de defesa dos direitos humanos afirmam que há indícios de execução e criticam a política de “criminalização da pobreza” que estaria sendo promovida pelo governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), que defendeu a ação da polícia. A Polícia Civil aponta que a perícia do IML não é suficiente para indicar se houve excesso dos policiais. Pelo menos 1.350 homens participaram da operação, inclusive tropas da Força Nacional de Segurança Pública.

A Anistia Internacional voltou a criticar a forma de atuação do governo brasileiro para lidar com a violência. Em entrevista ao O Estado de S.Paulo, a secretária-geral Irene Khan disse que o governo está adotando “estratégias equivocadas e perigosas” na luta contra o crime e que corre o risco de voltar a cometer “sérias violações” se o padrão de intervenção das forças de segurança, como no Alemão, for repetido. “A polícia precisa ser eficaz, não bruta”, disse . “O que estamos alertando é que as formas de resolver a questão não inclui a violação de direitos humanos. Mandar o exército ocupar favelas não resolverá jamais a questão da criminalidade no Brasil. O exército não é feito para isso e enviá-lo a desempenhar tal função não deveria ser considerado nem como a última alternativa.”

Intelectuais

Um grupo de intelectuais decidiu protestar contra a política de segurança pública, fazendo correr um abaixo-assinado pela internet cobrando a apuração das circunstâncias da morte e alertando para a orientação da política de segurança do Rio, apoiada pelo governo federal. O texto já conta com 370 assinaturas, incluindo do professor Plínio de Arruda Sampaio, o cineasta Nelson Pereira dos Santos, entre outras personalidades do meio acadêmico.

A ONG Justiça Global também critica duramente a gestão de Cabral, afirmando que ele estaria optando por uma estratégia equivocada ao querer “criminalizar a pobreza”. “A política de segurança em curso no Rio de Janeiro hoje é responsável pelo medo das crianças, pelo fim da sociabilidade nas comunidades e certamente pelo aumento da violência por toda a cidade, fazendo do espaço público, outrora ocupado por solidariedades e interações, um espaço de medo e apreensão”, diz um documento que está circulando na internet, assinado pela diretora da ONG Sandra Carvalho.

Há uma semana, a organização internacional Human Right Watch cobrou uma investigação completa das circunstâncias das 48 mortes no Alemão nos últimos dois meses. “Uma investigação completa dessas mortes é absolutamente fundamental para estabelecer a verdade e melhorar a confiança da população na polícia”, cobrou José Miguel Vivanco, diretor da divisão das Américas da Human Rights Watch. “O Estado deve assegurar investigações independentes que resultem em julgamentos de quem quer que tenha agido em desacordo com a lei.”

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