O ex-deputado federal e advogado criminalista Roberto Jefferson (PTB), cassado pela Câmara dos Deputados por quebra de decoro parlamentar no escândalo do “mensalão”, vai atuar como assistente da acusação no julgamento do empresário Vilmar Taffarel – denunciado como mandante do crime que vitimou a estudante Keila Alba, em novembro de 2001, em Vera, na região norte de Mato Grosso. O júri popular, que acontece na próxima sexta-feira no município, será o primeiro do qual o ex-parlamentar participa desde que voltou a advogar.
Roberto Jefferson aceitou atuar gratuitamente depois de tomar conhecimento do caso por meio de seu amigo e colega de partido, o deputado federal Ricarte de Freitas (PTB), que também tem relação de amizade com o pai da menina, o ex-vereador Augusto Alba.
O assassinato da estudante teria sido um crime de encomenda. As investigações apontaram que os assassinos queriam matar o então vereador. Mas um erro na execução terminou por tirar a vida da menina, então com onze anos.
Há cerca de quinze dias, Alba procurou o deputado Ricarte de Freitas, pedindo que ele intermediasse um encontro com Roberto Jefferson, pois tinha interesse em vê-lo atuando no júri.
“Eu fiquei impressionado com a capacidade de argumentação dele durante os depoimentos em Brasília”, diz Alba, que atualmente vive em Balneário Camboriú (SC). “Vi que ele era o ideal para atuar na acusação”.
Na última quinta-feira, o ex-deputado recebeu, por e-mail, as centenas de páginas do processo, o qual ficou de estudar durante o final de semana. “Vou pegar a causa, sim. Foi um crime bárbaro, de uma insensibilidade brutal”, avalia. “Farei sem cobrar nada porque sei que se trata de uma família humilde”.
O deputado Ricarte de Freitas confirmou durante a semana que, de fato, intermediou o contato entre Jefferson e Augusto Alba. “Passei o telefone e o e-mail. Fico feliz em saber que ele se interessou pela causa”.
Antes de se eleger deputado federal, Roberto Jefferson era um conhecido advogado do Rio de Janeiro. Ganhou mais notoriedade ainda ao atuar na defesa de pessoas de baixa renda no programa “O Povo na TV”, na década de 80, o que lhe rendeu votos.
Na primeira metade do ano foi alçado ao posto de vilão ao ser citado, em fita de vídeo, por um funcionário dos Correios como o articulador da corrupção dentro da empresa estatal. Sentindo-se abandonado pelo governo e tentando reverter a situação, denunciou a suposta existência de um grande esquema para compra do voto de parlamentares da base governista, ao qual chamou de “mensalão”. Suas denúncias resultaram na maior crise do PT e em uma das mais graves da história recente da República.
Até o final de semana, a promotora que vai atuar no caso, Clarissa de Lima, não havia sido informada oficialmente da participação de Jefferson no tribunal do júri. Segundo ela, a parte deve habilitar o assistente de acusação até três dias antes do julgamento, portanto a próxima terça-feira.