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“Se ele não abrir bem o bico e vier para Alagoas, ele morre”, diz juiz sobre pai de Eloá

“Se ele não abrir bem o bico e vier para Alagoas, ele morre”, diz juiz sobre pai de Eloá

O ex-cabo da Polícia Militar de Alagoas Everaldo Santos, pai da garota Eloá Pimentel, pode ser assassinado caso seja encontrado e colocado em uma unidade do sistema prisional.

O ex-cabo da Polícia Militar de Alagoas Everaldo Santos, pai da garota Eloá Pimentel, pode ser assassinado caso seja encontrado e colocado em uma unidade do sistema prisional. "Se ele não abrir bem o bico e vir para Alagoas, ele morre", disse o juiz Marcelo Tadeu, da 16ª juiz da Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça de Alagoas.

O juiz disse que a melhor opção para o ex-cabo da PM é conseguir a delação premiada (quando a pessoa que coopera com a investigação tem a pena reduzida) e ficar detido longe de Alagoas. Everaldo é acusado de integrar uma espécie de esquadrão da morte que atuava no Estado. Ele é suspeito de integrar a chamada "gangue fardada", grupo acusado de praticar diversos crimes. O ex-cabo da PM é apontado como o "braço armado" do grupo e seria responsável por mortes a mando dos dirigentes da gangue.

 

A chamada gangue fardada praticava crimes diversos –que vão desde ameaça até assassinatos– com o objetivo de conseguir dinheiro e prestígio.

Comandada pelos irmãos Cavalcante, eram liderados pelo ex-coronel da PM Manuel. Composto por cerca de 30 agentes das polícias Civil e Militar, eles atuavam em todo o Estado de Alagoas e praticavam crimes vestindo a farda –daí o nome do grupo. Eles usavam capuzes para esconder o rosto.

Tadeu foi o juiz que decretou a prisão temporária de Cavalcante. Ele também foi um dos juízes que, coletivamente, decretaram a prisão preventiva de 15 integrantes do bando.

Atuando há 17 anos no Tribunal de Justiça de Alagoas e há quatro deles na Vara de Execuções Criminais, ele é taxativo ao dizer que o temor de morrer demonstrado por Everaldo é legítimo.

"Esse receio dele procede. Conheço bem o sistema prisional e posso dizer que se ele vier a ser preso aqui, ele pode morrer", afirma Tadeu.

Para o juiz, Everaldo deve contar tudo o que sabe. "Ele [Everaldo] tem de dizer toda a verdade e, inclusive, detalhar os mandantes dos homicídios e os seus interesses, não importa quem for. O mais importante é ele falar quem são os "engravatados" que estão no topo do poder pois o coronel Cavalcante só executava junto com o grupo. Se ele omitir isso, realmente ele pode morrer antes de vir a ser julgado", disse o magistrado.

Além de decretar a prisão inicial de Cavalcante, Tadeu atuou em outras fases dos processos em trâmite. Ele diz que o poder do grupo é tal que intimidou até colegas de toga à época dos crimes.

Risco

Tadeu não é a primeira voz que alerta para o risco de morte que Everaldo corre. Delegados da Polícia Civil de Alagoas que estiveram em Santo André (Grande São Paulo) ontem, sustentam que o ex-cabo da PM corre mais risco foragido do que preso.

"As pessoas são capazes de tudo. A mãe dele [Everaldo] já até deixou sua casa em Alagoas. Solto, ele corre mais risco, pois as pessoas que o contratavam para praticar crimes podem agora querê-lo morto", afirmou o delegado-geral adjunto da Polícia Civil de Alagoas, José Edson de Medeiros Freitas Júnior.

Nesta semana, Everaldo negou participação em crimes. "Sou inocente. Nunca matei ninguém. Nunca, nunca e nunca. Mas sou um arquivo vivo. Por isso quiseram e querem me liquidar", disse ele, tentando justificar a fuga do Nordeste, em 1993, assim que sua prisão preventiva foi decretada.

A Justiça do Direito Online

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