O presidente do Conselho de Ética, senador Sibá Machado (foto) (PT-AC), pediu na noite desta terça-feira, 26, desligamento do cargo abrindo mais uma crise no órgão. Antes do presidente, conselho já tinha perdido dois relatores: Epitácio Cafeteira (PTB-MA) e Wellington Salgado(PMDB-MG). O primeiro pediu afastamento por problemas de saúde e o segundo – aliado do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) – renunciou por estar contrariado com a condução do caso.
Renan responde a processo por quebra de decoro parlamentar no órgão. É acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior e, apesar de alegar não precisar dos recursos, não consegue provar rendimentos.
A secretaria-geral da Mesa do Senado informou ter recebido a renúncia de Sibá Machado às 20h48 desta terça-feira. Segundo a secretaria, o senador renunciou também à sua própria vaga como titular no Conselho. A sessão do órgão desta quarta-feira, na qual aliados de Renan tentariam arquivar o processo, deve ser comandada pelo vice-presidente do órgão, Adelmir Santana (DEM-DF).
Antes de renunciar, Sibá Machado (AC) antecipou nesta terça que, na reunião marcada para esta quarta do Conselho de Ética, colocaria em votação o parecer de Cafeteira, que recomenda o arquivamento do processo contra Renan, por considerar que não existem provas, e sim “indícios”. E disse ainda que não seria escolhido novo relator para o caso.
O partido Democratas (DEM, ex-PFL) pediu nesta terça-feira, 26, o afastamento temporário de Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado até que o Conselho de Ética conclua a investigação do caso em que o parlamentar é acusado de ter as despesas pagas por um lobista. O movimento do DEM, segunda maior bancada do Senado com 17 parlamentares, tem um peso político grande e pode influenciar senadores de outras legendas membros do Conselho de Ética.
(Com Ricardo Amaral, da Reuters)