A linha de defesa adotada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para se safar das acusações de quebra de decoro parlamentar feitas pelo PSol contra ele no Conselho de Ética do Senado, é desviar o foco das investigações sobre seus negócios agropecuários e mantê-lo voltado para a relação extraconjugal com a jornalista Mônica Veloso. O caso é considerado um problema familiar e privado pela maioria dos senadores e não uma violação de conduta política do presidente da Casa, apesar de enorme desgaste de imagem que Renan sofre com isso.
O presidente do Senado sustenta a versão de que pagou do próprio bolso as despesas com a jornalista e sua filha e quer encerrar o assunto nesses termos amanhã, na reunião do Conselho de Ética, conforme o relatório apresentado pelo senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que propõe o arquivamento do processo.
O problema de Renan é que a contabilidade das fazendas de sua propriedade em Alagoas suscita muitas dúvidas dos colegas, mesmo dos aliados políticos, que aguardam o resultado da investigação feita sobre a papelada por peritos do Senado e da Polícia Federal para tomar uma decisão final sobre o relatório de Cafeteira.
As denúncias de que o peemedebista teria utilizado notas frias para justificar os rendimentos agropecuários provocaram uma crise na tropa de choque montada para defender o presidente do Senado. Cafeteira ficou doente e pediu licença do cargo. O presidente do conselho, senador Sibá Machado (PT-AC), assumiu interinamente a função, enquanto procura outro colega para assumir a tarefa de propor o arquivamento da representação do PSol. Senadores do PT, do PDT e do PSB, que apoiaram Renan, aguardam o desfecho da perícia dos documentos para se posicionar. As bancadas do DEM (ex-PFL) e PSDB ameaçam endurecer o jogo com Renan.
Pensão
Ontem, o funcionário da Mendes Júnior, Cláudio Gontijo, que a pedido de Renan efetuou pagamentos em dinheiro da pensão alimentícia da filha do senador com a jornalista, negou qualquer envolvimento da empreiteira com o caso.
O único descuido de Gontijo durante seu depoimento foi um comentário sobre sua situação na Mendes Júnior, desgastada por causa do escândalo. Disse que recebeu todo apoio da diretoria após a crise e que até o presidente da empreiteira, Murilo Mendes, octagenário, esteve em sua casa para lhe prestar solidariedade. A informação dada por Gontijo contrariou o advogado de Renan, Eduardo Ferrão, que momentos antes havia participado de uma acalorada discussão com o colega Pedro Calmon Mendes, advogado de Mônica, acusando-o de chantagem. Dono de uma das maiores bancas de advocacia de Brasília, Ferrão vem comandando a estratégia de Renan para enfrentar a crise.