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TJ do Amazonas tem 80 parentes de desembargadores

TJ do Amazonas tem 80 parentes de desembargadores

Pelo menos 80 pessoas que ocupam cargos de confiança no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJA) terão que ser demitidas. A medida é necessária para dar cumprimento à Resolução Nº 07, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que proíbe a prática de nepotismo em tribunais de Justiça de todo o País. A resolução, elaborada na terça-feira (18), deve entrar em vigor nos próximos dias e atinge também os tribunais regionais do Trabalho (TRT) e o Eleitoral (TRE).

Pelo menos 80 pessoas que ocupam cargos de confiança no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJA) terão que ser demitidas. A medida é necessária para dar cumprimento à Resolução Nº 07, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que proíbe a prática de nepotismo em tribunais de Justiça de todo o País. A resolução, elaborada na terça-feira (18), deve entrar em vigor nos próximos dias e atinge também os tribunais regionais do Trabalho (TRT) e o Eleitoral (TRE).

O número de demissões no TJA é apontado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Justiça do Amazonas (Sintjam), tendo como base monitoramento do Diário Oficial do Estado (DOE). O levantamento mostra que o Judiciário mantém entre os seus servidores parentes próximos de juízes e desembargadores. Há mais de dez anos o sindicato luta contra a prática do nepotismo nesse Poder.

A lista de contratados para cargos de Direção e Assessoramento Superior (DAS) – funções que dispensam o concurso público – inclui irmãs, esposas, filhos, cunhados, sobrinhos e primos em diversos graus de parentesco. O salário pago pelo Estado a esses servidores, conforme dados do Sintjam, varia de R$ 2 mil a R$ 9 mil. A média da maioria dos vencimentos está na faixa de R$ 7 mil a R$ 8 mil.

A resolução do CNJ ainda não está em vigor e só terá validade quando publicada no Diário de Justiça, o que deve ocorrer na próxima semana. A previsão é da coordenação do sindicato dos trabalhadores. A partir daí, os tribunais terão 90 dias para se adequar à resolução. A medida, no entanto, não estabelece punição para quem descumprir a norma. Mas o Sintjam aposta em uma punição moral, a partir da pressão popular, disse a coordenadora-geral da entidade, Marilene Barreto Guimarães, 59. Ela antecipou que após a oficialização do ato, passado os 90 dias de prazo à adequação, se o TJA não cumprir a resolução, o sindicato tornará pública a relação dos contratos sob o regime de nepotismo. Pela decisão do Conselho Nacional de Justiça também está proibido o nepotismo cruzado. Essa modalidade ocorre quando um juiz nomeia um parente de outro juiz para cargo de confiança em seu gabinete e este retribui com o mesmo gesto. No Amazonas, não há essa prática, garante a sindicalista. “A contratação é direta mesmo”, disse Marilene.

O fato que acelerou a decisão do CNJ foi a denúncia da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e da Associação dos Juízes pela Democracia, feita na semana passada, contra o nepotismo no Tribunal de Justiça de Pernambuco, onde 131 parentes de juízes, especialmente de desembargadores, estão empregados. O levantamento foi feito em seis meses de trabalho.

O presidente da secional da Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas (OAB-AM), Alberto Simonetti, considerou a decisão do CNJ sábia. “Não resta menor dúvida que a decisão atende a um pleito da sociedade”, disse ele, advertindo que os tribunais poderão recorrer da decisão. A OAB é uma das entidades nacionais que liderou o movimento contra o nepotismo na Justiça.

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