“É preciso que haja uma unidade de pensamento entre todos os tribunais. Sem ela, não haverá nenhum avanço significativo na prestação jurisdicional.” A afirmação é do coordenador-geral do Conselho da Justiça Federal (CJF), ministro Gilson Dipp, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em seu pronunciamento no I Encontro Nacional do Judiciário.
Para o futuro corregedor Nacional de Justiça, os tribunais precisam acabar com suas divergências internas para fortalecer as instâncias ordinárias. “Divisão interna não se justifica, é inadmissível nos tribunais. Esse procedimento dificulta a implementação de políticas para o cidadão. Nós temos um Judiciário desenvolvido, mas o nosso senso de corporativismo é muito grande. Temos que criar o compromisso de olhar além do nosso próprio umbigo”, afirmou.
Segundo Dipp, é clara a falta de vontade política dos tribunais em implementar as iniciativas que ajudem a melhorar a prestação jurisdicional. “Eu tenho uma percepção muito clara da Justiça brasileira”, assinalou, “e percebo que é difícil implementar as mudanças se não houver o comprometimento de todos os tribunais. São vocês que irão operacionalizar as mudanças que a sociedade nos pede.”
Para isso, o ministro Dipp ressaltou que é preciso ter planejamento, ter gestão. “Nós esperamos que os tribunais dêem o suporte para essas mudanças, que exerçam suas funções administrativas e fiscalizadoras. Não esperem que os conselhos supram todas as suas necessidades”, disse.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Gilmar Mendes, endossou as palavras do ministro Gilson Dipp, afirmando que os desafios precisam ser superados e que o Judiciário é um serviço público e para o público, “não podendo se perder isso de vista”.
Promovido pelo CNJ, o encontro reúne presidentes de todos os tribunais do país, magistrados e dirigentes de associações de classe do Poder Judiciário.