SÓ PEÇO QUE SE PUDEREM, O PUBLIQUEM; OBRIGADA, E AINDA, NÃO SE FAZ NECESSÁRIO A MINHA ASSINATURA.
Prezados Senhores e Senhora, José Edinaldo de Lima, José vitaliano de C. Rosa, Maria Elinete Taurino Guedes,
Muito bom dia!Escrevo-lhes esta carta em tom informal, já que transpondo as excessivas formalidades protocolares, tem como único objetivo, expressar um sentimento pessoal de indignação.
Fui aluna do curso de Publicidade & Propaganda, o qual cancelei para matricular-me em Administração (a título apenas de esclarecimento), ambos desta mesma instituição; faço parte do grupo de Teatro Tanaora do Iesp e é por este fato que inicio minha discussão. Iremos nos apresentar no dia 29 de dezembro deste ano aos senhores professores, diretores,enfim, à toda equipe do Iesp. A data desta confraternização foi transferida do dia 17 e, não é segredo para ninguém, afim de conter as manifestações estudantis que vinham ocorrendo. Independente de qualquer grupo em que estou inserida, sinto-me compelida a expressar a minha insatisfação em relação às decisões tomadas por esta diretoria, que acarretaram não apenas o aumento da mensalidade, como também, foi capaz de tolhir a liberdade e o DIREITO de expressão e participação do Movimento estudantil. Penso , e sinto lhes dizer que percebi desde os primeiros momentos em que entrei em contado com a equipe do Iesp, que este grupo é extremamente heterogênio, composto por pessoas altamente capacitadas como também, oportunistas, capitalistas no sentido pejorativo e incompetentes incapazes de resolver o menor dos problemas e assim, configura-se uma cúpula administrativa incapaz do ato essencial de civiladade que o DIÁLOGO caracteriza. Peço mil desculpas pela franqueza, e espero, que cada um desenvolva a capacidade de avaliar a si próprio e encontrar em si a possibilidade magna de corrigir-se.
Acaso não estejam a par de alguns fatos, devo citar-lhes algumas das consequências das ações desta empresa, dentre as quais estão: o trancamento e/ou cancelamento de matrículas por parte dos alunos que não poderão pagar pelo serviço de ensino oferecido.
Volto à questão da decisão insurgir (porque se pode dizer que foi um ato repentino e autoritário) “de cima para baixo”, refiro-me à subtração arbitrária da participação dos estudantes na tomada de decisões que diretamente os afeta.
Coloquemos “a mão na consciência” como diria uma geração anterior que reconhecia a “PALAVRA” como um ato superior de hombridade e percebamos a realidade de estrura do iesp, tanto no âmbito físico como nos demais, que não “comporta” esse valor de mensalidade e, sob nenhuma justificativa os estudantes poderiam ser alijados dos processos da faculdade a que pertencem. Neste ponto, devo expressar uma pequena mágoa para com a minha geração. Esta dos computadores, da alta tecnologia, do consumismo , das relações humanas superficiais, que muitas vezes, vezes por demais, é incapaz de lutar pelos seus direitos, de manifestar-se segundo ideais de igualdade e dignidade humanas, entre outros. Com isso, alegrou-me ver uma pequena manifestação estudantil dentro do Iesp, denominada “Vandalismo” por alguns dos meios de comunicação…estes mesmos, que nos tratam como seres altamente sugestionáveis. Então fica o questionamento de que nos julgam passivos, “aborrecentes” e até certo ponto, classificados no mais alto grau das palavras inconsciente e incapaz. Por favor…. eu diria. Se ao agirmos, nos abstraem do processos sociais, se o sistema não nos dá suporte diante de nossas escolhas e se a mesma geração que lutou em outras décadas contra regimes ditatorias, agora, não nos concede apoio. Se algo, se alguma ação, se algum método foi utilizado erroneamente, onde estão os nossos MESTRES para nos guiar e nos ensinar a pensar por nós mesmos??? Afinal, não creio que o tempo seja a chave crucial,e como pôde o conceito de EDUCAÇÃO ser tão maculado assim???Há algo extremamente errado na MENTALIDADE desta sociedade, e vejo que a culpabilidade não deveria recair apenas sobre os jovens, seria injustiça diante de fatos como este que nos prova o contrário. É inevitável colocar uma frase em relação ao fim de ano. E eu só penso que neste natal, não só os estudantes mas a minha geração, gostaria de mais do que a simbologia do Papai Noel, no qual não acreditamos mais….. queríamos a chance, a oportunidade, as mãos de quem possa nos levar a um caminho de maior CONSCIÊNCIA e ATITUDE….Não posso crer que ficar de braços cruzados, vai levár-nos à evolução.
AGRADEÇO IMENSAMENTE SE CHEGAREM A LER.
João Pessoa, 23 de dezembro de 2004