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Preço do crescimento não pode ser exploração do homem, diz Ophir

Preço do crescimento não pode ser exploração do homem, diz Ophir

"O Brasil precisa avançar, concorrer internacionalmente com as grandes economias, mas o preço disso não pode ser a exploração da dignidade do ser humano".

“O Brasil precisa avançar, concorrer internacionalmente com as grandes economias, mas o preço disso não pode ser a exploração da dignidade do ser humano”. Com essa afirmação, o diretor do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante Junior, abriu o painel sobre o trabalho escravo, que integrou a programação da IV Conferência Internacional de Direitos Humanos, promovida em Belém pelo Conselho Federal da OAB em parceria com a Seccional paraense da entidade.
Ao abordar o emprego da mão-de-obra escrava no País como via de conquista de um lugar lucrativo no mundo capitalista, Ophir afirmou que o preço para atingir o lucro não pode ser a transformação da força do trabalho humana em simples objeto. “Qual preço teremos que continuar pagando pelo desenvolvimento? Não há uma forma de crescer no capitalismo em que se permita manter a dignidade humana?”, questionou Ophir a uma platéia de advogados, estudantes de Direito e especialistas no campo dos direitos humanos.
Ainda segundo afirmou o diretor da OAB, a Justiça continua, lamentavelmente, distante da resolução desse problema. “Até hoje se discute de quem é a competência para quem emprega mão-de-obra escrava no campo: se da Justiça Federal ou da comum”, exemplificou. “Enquanto isso, a o trabalhador no campo continua sofrendo. É a impunidade que vence”.
Ao finalizar a saudação feita antes do painel que debateu a matéria, Ophir Cavalcante afirmou que o grande problema para contornar a existência do trabalho baseado nas condições análogas à de escravo continua sendo a impunidade. “Enquanto não tivermos uma Justiça criminal que puna efetivamente os que contratam mão-de-obra escrava continuaremos tendo trabalho escravo no Brasil”. Integraram o painel na IV Conferência, o ministro aposentado do Tribunal Superior do Trabalho, Luciano Castilho, e o advogado Luiz Carlos Moro.

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