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Lentidão na Justiça trava ação contra presidente da CBF por fraude em hospital público

Lentidão na Justiça trava ação contra presidente da CBF por fraude em hospital público

Procurada, defesa diz que conduta de Samir Xaud ‘sempre foi pautada pelo estrito respeito às leis’; no último ano, processo contra presidente da CBF não teve qualquer movimentação relevante

A lentidão da Justiça de Roraima tem beneficiado o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, que responde há três anos a um processo de improbidade administrativa por supostas fraudes quando era diretor-geral do Hospital Geral do Estado. O dirigente chega à Copa do Mundo com a ação emperrada.

Procurada, a defesa de Samir Xaud negou irregularidades e afirmou que sua conduta “sempre foi pautada pelo estrito respeito às leis da República”. Leia o posicionamento ao fim da reportagem.

Desde que o processo judicial foi revelado pela Coluna do Estadão e Xaud foi eleito ao comando da CBF, em maio do ano passado, a ação pouco andou: só teve movimentações irrelevantes, concentrando-se apenas em diversas tentativas de intimar outras duas rés. Nesse período, a Justiça e o Ministério Público (MP) não tomaram qualquer providência concreta para o aprofundamento das investigações.

O Ministério Público estadual acusa Xaud, que é médico, e outros seis ex-gestores do hospital de atuarem na falsificação de documentos para simular serviços. O prejuízo estimado aos cofres públicos é de R$ 1,4 milhão.

O MP apontou um “expediente fraudulento” de gestores do Hospital Geral de Roraima entre 2017 e 2020 para favorecer indevidamente a empresa Coopebras, por meio de documentos falsos.

“Associado ao desfalque patrimonial sofrido pelo Estado de Roraima, tem-se flagrante atentado aos referidos princípios norteadores da atuação dos agentes públicos, cometido de forma intencional, deliberada, com evidente má-fé, evidenciada pelo expediente fraudulento que empregaram para permitir o desvio de finalidade e, consequentemente, os pagamentos indevidos em favor da Coopebras”, escreveu o promotor Igor Costa.

O promotor afirmou à Justiça que Xaud e outros ex-gestores do hospital “foram os responsáveis por informar serviços médicos (atendimentos, exames ou procedimentos cirúrgicos) que sequer foram comprovadamente prestados em favor da população roraimense”.

Leia o comunicado da defesa de Samir Xaud

“Em relação ao processo de improbidade, não há qualquer indício de irregularidade praticada pelo Dr. Samir Xaud, cuja conduta — tanto na vida pública quanto na esfera privada — sempre foi pautada pelo estrito respeito às leis da República. Tal circunstância será demonstrada no momento oportuno, nos autos do processo, após a devida citação e manifestação de todas as partes e, certamente, provará a inexistência de qualquer responsabilidade a ser imputada.”

Roseann Kennedy

FONTE: ESTADÃO

FOTO: DIVULGAÇÃO DA WEB

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