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Medidas de redução dos prazos de registro de medicamentos são bem recebidas pela indústria, mas ainda geram insegurança

Medidas de redução dos prazos de registro de medicamentos são bem recebidas pela indústria, mas ainda geram insegurança

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou medidas para reduzir em até 40% o prazo para análise de registro de novos medicamentos, a partir de abril de 2013.

 

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou medidas para reduzir em até 40% o prazo para análise de registro de novos medicamentos, a partir de abril de 2013. O objetivo é de que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acelere o registro de medicamentos e que o prazo seja reduzido para seis meses. Chamado de Sistema de Registro Eletrônico de Medicamentos, começará a funcionar em 15 de abril e a prioridade será para os medicamentos para o Sistema Único de Saúde (SUS) ou inovadores como, por exemplo, medicamentos para hipertensão, diabetes e para combate ao câncer.

 

Na opinião do especialista em Propriedade Intelectual e Tecnologia pela FGV-SP e sócio responsável pelas áreas de Propriedade Intelectual, Life Sciences e Tecnologia do escritório ZCBS – Zancaner Costa, Bastos e Spiewak Advogados, Benny Spiewak, a esperança da indústria farmacêutica é que as medidas, de fato, otimizem o funcionamento da Anvisa. “As atribuições da Agência são diversas e afetam virtualmente todos os aspectos da concepção, produção e comercialização de itens sujeitos à vigilância sanitária, incluindo questões de patentes, registro de produtos, certificação de fábricas, concessão de autorizações regulatórios, autorização para realização de pesquisas clínicas e fiscalização de propagandas de produtos regulados. A dinâmica da Anvisa não acompanha a sua ampla lista de poderes. Assim, as notícias de melhorias no processamento é muito bem recebida”, afirma.

 

Benny Spiewak avalia que a intenção de o Brasil investir na produção local de medicamentos de alta complexidade e biológicos é excelente. “O parque industrial farmacêutico nacional puramente público ainda caminha lentamente e, portanto, a aproximação do Governo Federal com empresas do setor farmacêutico é extremamente importante. Essa aproximação, contudo, não pode ser eivada de ufanismo e de práticas que beiram o protecionismo, que privilegiam, a qualquer custo, empresas nacionais”, explica o advogado.

 

A avaliação do especialista é de que as empresas farmacêuticas nacionais são muito importantes para o desenvolvimento do parque nacional, mas sozinhas elas não conseguirão atender a demanda de pesquisa e desenvolvimento exigido pelo setor.

 

“A colaboração e engajamento com empresas multinacionais é importante, assim como o reconhecimento do valor agregado por essas companhias. Por exemplo, o modelo de incentivo à pesquisa e desenvolvimento é substancialmente afetado com medidas que afetam o sistema de patentes de processos e produtos de medicamentos. Sem um marco claro e consistente com padrões internacionais, o Brasil afasta do seu território iniciativas de inovação. Ainda, as delongas no processo regulatório da Anvisa geram insegurança aos operadores da indústria sanitária”, conclui.

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